Gosto de boas lembranças.
Tenho poucas.
Uma, em especial:
a casa da minha avó.
Era linda.
Quase um poema.
Tinha chão vermelho,
bem encerado.
Uma cozinha no fundo,
com duas muretas
que pareciam nascer
da extensão do próprio chão.
Havia um pomar.
Frutífero.
E nós adorávamos.
Ali,
entre cores e sabores,
as frutas contavam histórias.
Histórias de amor.
De dedicação.
De um tempo
em que a simplicidade
bastava,
e nós respondíamos
com alegria
e plenitude.
Série: Boas lembranças