Há um homem que habita em mim.
E ele não ama a humildade.
Prefere o aplauso.
Prefere vencer a discussão
a preservar o irmão.
Há um homem que habita em mim.
E ele não deseja a mansidão.
Quando é ferido,
quer ferir.
Quando é acusado,
quer responder.
Quando é desprezado,
quer devolver.
Há um homem que habita em mim.
E ele desconhece a longanimidade.
Não suporta esperar.
Não suporta ceder.
Não suporta perdoar mais uma vez.
Seu coração sempre encontra razões para desistir das pessoas.
Então Paulo escreve.
Não como quem descreve o homem natural.
Mas como quem apresenta o homem que Cristo está formando.
Humildade.
Mansidão.
Longanimidade.
Três palavras.
Tão pequenas aos olhos.
Tão impossíveis ao nosso coração.
Porque o velho homem jamais escolheria esse caminho.
Ele prefere o orgulho.
A violência.
A impaciência.
Mas o Espírito nos conduz por uma estrada que a carne nunca pisaria.
E talvez seja justamente aí que a santidade começa.
Não quando fazemos o que desejamos.
Mas quando desejamos, cada vez mais,
aquilo que antes jamais desejaríamos.
- Gabriel Anjos