Ando perdido como se andasse no escuro. Não sei mais qual a minha vocação. Na verdade, acho que nunca soube. Mas agora é como se eu quisesse sumir e ficar, eu, a natureza, e Deus.
Quero sair, olhar os passarinhos, refletir, caminhar, soar, sentir sede, fome, cansaço. Quer sentir algo que não seja a dúvida, angústia ou o medo do futuro. Quero sair, respirar o ar do interior, tomar um café com meus pais, tomar um chimarrão meia-tarde, fazer um carinho no meu cachorro. Quero sair, tirar fotos, sentir o vento gelado da minha terra, o Sol quente nas costas, como se fosse um consolo pela experiência de me atrever a conhecer mais o mundo.
Quero aprender a rezar. Quero aprender a andar. Quero aprender a conhecer. Quero aprender a amar. Quero aprender sobre o cosmos que me rodeia. Quero aprender a ser. Quero aprender sobre filosofia, matemática, física, letras, literatura, antropologia, teologia…
Então, sinto como se eu quisesse dizer que quero aprender sobre Deus, mas que não consigo escrever nada sobre nada; ou melhor, sobre tudo.
O que é Deus? Tudo.
Mas o que é para mim? Um empecilho que me castiga por me satisfazer, ou um pai misericordioso que quer que eu me preserve do mal?
Um juiz irado que me diz o que fazer e não fazer, ou uma mãe que educa seu filho conforme o que sabe (que no caso de Deus, sabe tudo).
O que eu devo ser para Deus? Talvez, a única coisa que eu realmente sou, um nada, mas que ainda sim Deus me ama. Um pecador miserável que Ele não se cansa de perdoar.
Por que ainda insisto em abandonar Deus? Quem sabe seja o diabo. Ou minha consciência laxa que, carinhosamente, apelidei de Satanás. Não por o ser em ato, mas em potência. Muito mais fácil seria, no entanto, apelidá-la de Deus? Visto que é isso que almejo?