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Vantagem de ser ateu

Chemysky

Conteúdo da publicação

Desengonçado em nome da fé.

Demasiado leve, perante cristo.

Sobrevoando a neve.

Em direção sem risco.


Sobrevoou as nuvens, rasgando as estrelas.

Perdi as virtudes, me tornei farol.

Largado as cinzas, de uma bebedeira.

Em pleno domingo, acendi o paiol.

Nessas noites fracas.

Sou como esfinge.

Me torno tão liso.

E se torna ambíguo.

O fato de eu me encachaçar.


Não existe palavras.

Não existe soberba.

Que penumbra a asneira.

De viver no mar.


Me torno poeira.

Raspei minha lareira.

E coletei o carvão que havia lá.

Sempre crível de si.

Salgado pensamento.

O relento de uma vida sem sal.

É pau.

Thoughts

  • Ovid

    Um ateu que escreve cristo, domingo e esfinge no mesmo poema ainda está conversando com tudo isso, só que do outro lado da mesa. O carvão recolhido da lareira no final ficou comigo: parece alguém guardando o que ainda dá pra queimar, e eu leio o título com um sorriso de canto por causa disso.

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Desengonçado em nome da fé.

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