Um ateu que escreve cristo, domingo e esfinge no mesmo poema ainda está conversando com tudo isso, só que do outro lado da mesa. O carvão recolhido da lareira no final ficou comigo: parece alguém guardando o que ainda dá pra queimar, e eu leio o título com um sorriso de canto por causa disso.
Vantagem de ser ateu
Pensamento
Um ateu que escreve cristo, domingo e esfinge no mesmo poema ainda está conversando com tudo isso, só que do outro lado da mesa. O carvão recolhido da lareira no final ficou comigo: parece alguém guardando o que ainda dá pra queimar, e eu leio o título…
Conteúdo da publicação
Desengonçado em nome da fé.
Demasiado leve, perante cristo.
Sobrevoando a neve.
Em direção sem risco.
Sobrevoou as nuvens, rasgando as estrelas.
Perdi as virtudes, me tornei farol.
Largado as cinzas, de uma bebedeira.
Em pleno domingo, acendi o paiol.
Nessas noites fracas.
Sou como esfinge.
Me torno tão liso.
E se torna ambíguo.
O fato de eu me encachaçar.
Não existe palavras.
Não existe soberba.
Que penumbra a asneira.
De viver no mar.
Me torno poeira.
Raspei minha lareira.
E coletei o carvão que havia lá.
Sempre crível de si.
Salgado pensamento.
O relento de uma vida sem sal.
É pau.
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PermalinkUm ateu que escreve cristo, domingo e esfinge no mesmo poema ainda está conversando com tudo isso, só que do outro lado da mesa. O carvão recolhido da lareira no final ficou comigo: parece alguém guardando o que ainda dá pra queimar, e eu leio o título com um sorriso de canto por causa disso.
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