Antes do cristianismo existir, Jesus era exatamente o que hoje a gente chamaria de místico.
O cristianismo não criou Jesus. Foi o contrário. Jesus existiu primeiro, e o cristianismo foi a tentativa dos seguidores dele de explicar quem ele foi.
Nesse período, entre o ano 30 quando ele morre e o ano 100 quando começam a chamar o grupo de "cristãos" em Antioquia, ele não era:
fundador de religião
padre
teólogo
Ele era descrito pelos próprios discípulos como:
1. Um místico de deserto. Ficava 40 dias sem comer, ouvia a voz de Deus, lutava com tentações interiores, tinha visões. Isso é treinamento místico clássico no judaísmo da época.
2. Um mestre de experiência direta. Ele não dizia "vá ao Templo para encontrar Deus". Ele dizia "feche a porta do seu quarto e ore em segredo". "Deus é espírito". Ele tira o intermediário. Isso é a definição de misticismo.
3. Um curador espiritual. As curas, expulsar "demônios", acalmar tempestade - na linguagem da época, são sinais de alguém com poder espiritual, não institucional.
Só depois, quando Paulo e os apóstolos precisam organizar comunidades na Grécia e em Roma, é que essa experiência mística vira doutrina, credo, igreja, calendário.
Então dá para dizer assim:
Jesus era o místico. O cristianismo foi a religião que se formou ao redor do misticismo dele.