Com os olhos cansados encaravam a prova. Alguns com a cabeça sobre a mesa, cochilavam. Somente ouvia-se a voz do professor, na frente da sala, enquanto explicava a matéria. Nas cadeiras no fundo da sala sentavam-se Luís e Pedro Jesus. Os poucos acordados ali.
- Lembra do Cauê? - começou Luís.
- Aquele que morreu no barreiro?
- É.
- Já vai fazer um ano…
- É muito estranho quando alguém da escola morre.
- Sim. O Diogo chorou…
- Quem matou?
- Não sei. - afirmou Pedro Jesus. - mas sei que armaram para ele. Estava saindo com uma mulher que namorava. O cara fez ele ir até lá e pá… o matou a facadas. Ainda ferido andou uns quinhentos metros, todo cheio de sangue.
- Meu Deus. Imagina ele caminhando e buscando ajuda.
- Carlos ainda falou para ele não ir.
- Eu falei com ele no mesmo dia que ele morreu. Fiquei sem acreditar.
Houve breve silêncio.
- Hoje matam pessoas como se matassem lagartixas. - comentou Pedro.
- Até que ponto a humanidade pode chegar? - perguntou Luís franzindo as sobrancelhas e balançando a cabeça.
A campainha tocou. Era a hora do intervalo.
- O que deve ser a comida hoje?
- Aposto que é pão com alho de novo.
Se levantaram e foram até a cantina.