Abobadado outono
Apagada a lua ouropel
Tombam do céu fulgurantes estrelas
Tingidas de abóbora celofane
E amortecem-se lilases crescidos.
Empoeiradas as franjas de caules,
O inverno traz o que tem de pior
Faz seres vivos virarem sementes
E lábios secos tornarem-se pétalas.
Por entre as mentes árvores vermelhas
Reiteram na memória o outono
Emissário da dor, ladrão do sono,
Murmurando entre si, umas e outras,
enquanto vento e pântano, em uníssono,
cantam a exaltação do amor-ninho.