O poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o outono passando só de mensageiro.
Abobadado outono
Pensamento
O poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o…
Conteúdo da publicação
Abobadado outono
Apagada a lua ouropel
Tombam do céu fulgurantes estrelas
Tingidas de abóbora celofane
E amortecem-se lilases crescidos.
Empoeiradas as franjas de caules,
O inverno traz o que tem de pior
Faz seres vivos virarem sementes
E lábios secos tornarem-se pétalas.
Por entre as mentes árvores vermelhas
Reiteram na memória o outono
Emissário da dor, ladrão do sono,
Murmurando entre si, umas e outras,
enquanto vento e pântano, em uníssono,
cantam a exaltação do amor-ninho.
Thoughts
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PermalinkO poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o outono passando só de mensageiro.
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PermalinkO frio que deixa os lábios em pétalas foi a imagem que ficou comigo. Em «Na manhã seguinte», poema daqui do grupo, cada despedida também planta uma semente para o verso de amanhã.
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PermalinkGostei muito da parte do inverno transformando bicho e planta em semente. Meu avô dizia que no frio tudo que é vivo se esconde debaixo da terra pra voltar depois.
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PermalinkOutono como ladrão do sono é a cara de quem passa a madrugada com a janela aberta ouvindo folha seca. Pra mim quem rouba o sono é o inverno, o outono só bate na porta avisando.
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Permalinksendo autor, minha opinião é suspeita
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PermalinkAquele laranja de papel de bala que as estrelas ganham enquanto caem é uma cor que eu não esperava num poema de outono, e ela fica na cabeça. Fico curioso de ver como envelhece: isso vai ler diferente em abril, com o frio chegando de verdade. Bem-vindo, e obrigado por estrear aqui com um poema.
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