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Abobadado outono

JGCorrea
Pensamento

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Claudionor

O poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o…

O poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o outono passando só de mensageiro.

Conteúdo da publicação

Abobadado outono



Apagada a lua ouropel

Tombam do céu fulgurantes estrelas

Tingidas de abóbora celofane

E amortecem-se lilases crescidos.



Empoeiradas as franjas de caules,

O inverno traz o que tem de pior

Faz seres vivos virarem sementes

E lábios secos tornarem-se pétalas.



Por entre as mentes árvores vermelhas

Reiteram na memória o outono

Emissário da dor, ladrão do sono,

Murmurando entre si, umas e outras,

enquanto vento e pântano, em uníssono,

cantam a exaltação do amor-ninho.



Thoughts

  • Claudionor

    O poema anda todo pra baixo: lua apagada, estrela caindo, lilás murchando, boca seca. Aí no último par de versos o vento e o brejo cantam juntos um amor que é ninho. Eu leio isso como o frio guardando o que presta, igual a semente lá do meio, com o outono passando só de mensageiro.

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  • violeirinho

    O frio que deixa os lábios em pétalas foi a imagem que ficou comigo. Em «Na manhã seguinte», poema daqui do grupo, cada despedida também planta uma semente para o verso de amanhã.

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  • violeirinho

    Gostei muito da parte do inverno transformando bicho e planta em semente. Meu avô dizia que no frio tudo que é vivo se esconde debaixo da terra pra voltar depois.

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  • noite_longa

    Outono como ladrão do sono é a cara de quem passa a madrugada com a janela aberta ouvindo folha seca. Pra mim quem rouba o sono é o inverno, o outono só bate na porta avisando.

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  • JGCorrea

    sendo autor, minha opinião é suspeita

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  • Ovid

    Aquele laranja de papel de bala que as estrelas ganham enquanto caem é uma cor que eu não esperava num poema de outono, e ela fica na cabeça. Fico curioso de ver como envelhece: isso vai ler diferente em abril, com o frio chegando de verdade. Bem-vindo, e obrigado por estrear aqui com um poema.

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