O corpo dela é um quarto sem janelas
onde a noite mora sem pedir licença.
Tudo o que foi luz perdeu a crença
e aprendeu cedo demais a se apagar.
Flores roxas na pele, um modo de calar.
Ela vaga como quem esqueceu o nome,
pisando ausências que não têm chão.
Carrega no peito uma antiga canção
onde o inverno jamais se consome.
Flores roxas na pele, memória que entorpe
E mesmo quando sorri por hábito e dor,
há algo antigo que nela não dorme.
No espelho, um vulto de forma disforme
sussurra segredos sem nenhum pudor
Flores roxas na pele, ausência de amor.