Cavei mil covas nesta terra
E a cada sete palmos, não percebia
Que com o passar desta labuta
Eu esfriei a minha vida
Cavei 500 para a esquerda
Revivia a tristeza nos rostos
Não conseguia entender
O porquê deste choro
Cavei 500 para a direita
Com o dever cumprido
Sempre pude me deitar
Relaxar, descansar e sonhar
Cavaram a minha cova
Não tive ressentimentos
Não sofri com pesadelos
Me vi preso nos meus devaneios
Por fim, deixo um recado
É preciso saber viver
Para que no seu epitáfio
Esteja claro o seu legado
Estas memórias póstumas
Dedico aos entusiastas
Que não viveram a vida
E morreram sem uma partida