Deitado na cama, vi a porta se abrir. Você entrou e me encarou em silêncio. Perguntei se você tinha vindo hoje de novo, e você me lembrou do meu próprio pedido: "Você não disse para eu vir todas as noites?" Então você se deitou ao meu lado.
Dessa vez, era eu quem não conseguia desviar os olhos, perdido em pensamentos, te admirando. Você quis saber o motivo do meu olhar. "Porque você é linda demais", eu disse. Você riu, daquele seu jeito, e perguntou se eu tinha me apaixonado só pela beleza. Não, não era só por isso. Era pelo seu olhar, pelo seu sorriso, por aquela sua mania de tentar ficar séria, segurando o riso bem na hora de me contar uma piada. Era por tudo isso. E por muito mais.
Você mudou o tom e disse que precisávamos conversar. Eu te interrompi. Eu sabia o que vinha e não queria ouvir. "Não, a gente não precisa conversar sobre isso." Mas você insistiu, trazendo a verdade que eu tentava ignorar: "Você sabe que eu sou apenas uma árvore. Uma árvore que você plantou na sua mente e regou com lembranças toda noite. Criei raízes tão profundas em você, que agora você simplesmente não consegue me arrancar."
Eu sorri em silêncio, passei a mano pelo seu rosto e respondi: "Sim, você é uma árvore que eu plantei e reguei com lembranças. E agora você cresceu tão forte, que tudo o que eu quero é deitar debaixo dessa árvore e sonhar.