Talvez, se o corte não fosse
Profundo no ardor da derme,
A síntese do meu cerne
Teria o rubro agridoce.
Talvez, se as farpas da corda
Não queimassem meu pescoço,
Meus próximos nove almoços
Seriam babosas nódoas.
Talvez, se a corrente elétrica
Não disputasse a sanguínea,
Um belo beijo de língua
Resolveria, sem métrica,
Meu viver sem mesmo míngua.
Talvez, se eu tivesse forças,
Este fosse o derradeiro
Texto com meu paradeiro
De resistências insossas.
Talvez, a morte não seja
A consequência do pós
Tiro, que vem de bandeja,
Mas a musa que é feroz
Na forma em que nos corteja.