Capítulo 4 - Memória
Bruno não era tão dedicado aos estudos e suas notas eram baixas.
Certo dia, quando voltava de fora depois de jogar bola, ouviu seus pais conversando:
— Este mês não ganhei muito, vou procurar vender algumas coisas para complementar — disse o pai.
A mãe de Bruno respondeu ao marido:
— Vou trabalhar também. O Bruno vai precisar de novos materiais e precisamos fazer compras.
Indo para o seu quarto, Bruno desejou dar uma vida melhor para seus pais.
Olhando suas notas, lembrou que as provas do 2º bimestre estavam marcadas. E como ciências era a matéria em que tinha mais dificuldade, procurou o professor aula após aula.
Nessa hora, ouviu: "segundo potencial desbloqueou: memória".
Bruno viu as memórias mais profundas, até o dia em que nasceu, no seu primeiro choro de bebê. Até tudo que ele leu e ouviu até o dia de hoje.
O que o professor ensinava estava tão claro que, vendo sua dedicação, o professor perguntou se Bruno tinha alguma dúvida.
Bruno respondeu:
— Não tenho, professor.
Então o professor pediu um voluntário para responder à pergunta.
Bruno levantou a mão.
O professor, impressionado, chamou Bruno. Ele se levantou e, ao pegar o giz, um colega do fundo disse que Bruno não sabia de nada e que era só pose.
Bruno não ligou para o colega e respondeu.
O professor, verificando a resposta, disse para a turma que estava correta.
Bruno se sentou e olhou a hora. Pensando na próxima aula, pegou o livro de história. Para sua surpresa, uma olhada em uma página do livro era tempo suficiente para ele se lembrar de tudo.
Bruno então ficou pensativo sobre o quão rápido as coisas estavam acontecendo.
E olhando para o relógio em seu pulso, se perguntou:
— Será que foi o relógio? É tão comum.
Mas, lembrando de quando conseguiu o relógio, ficou desconfiado.