Havia uma jovem trepadeira que crescia no chão de uma floresta, onde as árvores altas escondiam quase toda a luz do sol.
Em seus ramos nasciam pequenas gavinhas que, sem conhecer o mundo, procuravam algo em que se enrolar. Bastava encontrarem um galho, uma pedra ou qualquer superfície ao alcance para se agarrarem firmemente.
Certo dia, uma gavinha se prendeu a uma cerca enferrujada. Outra se enrolou no tronco de uma árvore. Uma terceira encontrou apenas um velho pedaço de madeira.
— Por que vocês se agarram a qualquer coisa que encontram? — perguntou uma flor que crescia livremente no solo. — Não deveriam escolher melhor onde se apoiar?
A gavinha não respondeu. Não sabia escolher como os animais escolhem seus caminhos. Seu impulso era crescer, alcançar o que estivesse próximo e sustentar o ramo que a conduzia adiante.
Enquanto a flor permanecia no mesmo lugar, contemplando o mundo ao seu redor, a trepadeira subia. Suas gavinhas se prendiam aqui e ali, e cada apoio, por mais imperfeito que fosse, permitia que seus ramos avançassem em direção à claridade.
Quando finalmente ultrapassou a copa das árvores, suas folhas receberam o sol pela primeira vez.
A flor, lá embaixo, compreendeu que aqueles pequenos laços não existiam apenas para impedir que a planta caísse. Eram também os instrumentos de sua ascensão.
Semente reflexiva: Às vezes, aquilo que nos mantém de pé não é o mesmo que nos faz chegar à luz. São os nossos impulsos, mesmo imperfeitos, que nos levam a procurar os apoios necessários para continuar em busca de energia.