No meio de um jardim antigo havia uma flor que tinha passado a vida inteira esperando por uma abelha.
Não queria apenas suas visitas, nem o doce movimento de suas asas entre as pétalas. Quando a abelha chegava, a flor sentia que havia encontrado alguém com quem poderia dividir as estações, as tempestades e as manhãs de sol.
Certo dia, cansada de esconder o que sentia, a flor chamou a abelha para perto.
— Eu gosto de você — disse ela.
A abelha sorriu.
— Eu também gosto de você.
A flor balançou suavemente com o vento.
— Mas eu não gosto de você apenas para receber suas visitas. Não quero que você venha ao meu jardim somente quando sentir saudade. Eu gosto de você para ficar.
A abelha ficou em silêncio.
— Para ficar como? — perguntou.
A flor respirou o perfume da própria coragem.
— Para construir uma vida comigo. Para atravessarmos juntos os dias bons e os difíceis. Para que, quando o inverno chegar, você não procure outro jardim apenas porque o meu perdeu algumas flores. Eu gosto de você para casar.
A abelha nunca havia ouvido uma flor falar daquele jeito.
Ela estava acostumada a jardins onde ninguém perguntava sobre o amanhã. Ali, porém, havia uma flor que não queria apenas ser admirada: queria ser escolhida.
— E se eu tiver medo? — perguntou a abelha.
— Então teremos medo juntos.
— E se houver tempestade?
— Fecharemos nossas pétalas e protegeremos nossas asas.
— E se um dia você deixar de florescer?
A flor sorriu.
— Então você ficará para conhecer a mulher que existe por trás da flor.
A abelha pousou sobre ela.
Naquele instante, compreendeu que havia diferença entre visitar uma flor e escolher uma flor para chamar de lar.
E, naquele jardim, pela primeira vez, uma abelha percebeu que certas flores não pedem apenas carinho.
Elas pedem futuro.
Moral: Há amores que não desejam apenas presença; desejam compromisso. Porque gostar de alguém também pode significar dizer, com coragem: “Eu gosto de você para ficar.”