No coração de uma floresta antiga havia um rio que amava uma árvore.
O rio passava por suas raízes todas as manhãs, trazendo consigo folhas, sementes e pequenos peixes prateados. A árvore, por sua vez, inclinava seus galhos sobre a água e deixava que suas folhas tocassem a correnteza.
— Quando você passa por mim — dizia a árvore — parece que a floresta inteira respira.
O rio sorria à sua maneira, fazendo pequenas ondas contra as pedras.
— E quando você se inclina sobre mim, esqueço que estou sempre indo embora.
Durante muitas estações, viveram assim. O rio nunca podia ficar, e a árvore nunca podia partir. Ainda assim, encontravam-se todos os dias.
Até que veio uma seca.
O céu permaneceu sem nuvens durante meses. O rio foi diminuindo. Primeiro deixou de alcançar as raízes mais profundas. Depois transformou-se em um fio estreito entre as pedras.
— Não vá — pediu a árvore.
— Eu não escolho o caminho — respondeu o rio. — A terra me leva para longe.
— Então fique onde está.
— Se eu ficar, morrerei.
A árvore não compreendeu.
Na última manhã, o rio passou diante dela pela última vez.
— Quando você voltar?
O rio demorou a responder.
— Talvez a chuva me traga de volta. Talvez não.
E desapareceu entre as pedras.
A árvore continuou esperando.
Vieram outras chuvas, outros rios, outras criaturas. Novos animais fizeram ninhos em seus galhos. Flores nasceram ao redor de seu tronco. A floresta envelheceu.
Mas a árvore nunca voltou a inclinar seus galhos da mesma maneira.
Certa noite, uma lua enorme iluminou o leito seco.
Um jovem cervo aproximou-se e encontrou a árvore imóvel.
— Por que suas folhas parecem tão escuras?
— Porque guardam uma paisagem que já não existe.
— Você ainda ama o rio?
A árvore ficou em silêncio.
Então uma folha caiu.
— Amar não é necessariamente esperar que alguém volte. Às vezes é carregar dentro de si o lugar onde alguém esteve.
O cervo olhou para o leito vazio.
— Mas isso não dói?
— Dói.
— Então por que não esquecer?
A árvore balançou os galhos.
— Porque esquecer seria apagar também a parte de mim que nasceu enquanto ele passava.
Naquela mesma noite, uma tempestade começou muito longe dali.
A chuva caiu sobre as montanhas.
Pequenos riachos nasceram entre as pedras, correram pelas encostas e encontraram antigos caminhos.
Dias depois, o rio voltou.
Quando alcançou a árvore, suas águas estavam diferentes. Mais profundas. Mais rápidas. Carregavam galhos de outras florestas e o cheiro distante de terras desconhecidas.
A árvore sentiu suas raízes serem tocadas.
Por um instante, nenhuma das duas criaturas disse nada.
Então o rio perguntou:
— Você ainda está aqui?
A árvore respondeu:
— Eu nunca deixei de estar.
Mas não tentou prendê-lo.
E o rio também não prometeu permanecer.
Continuou seu caminho.
A árvore compreendeu, enfim, que algumas criaturas não entram em nossa vida para ficar. Entram para transformar a paisagem e depois seguem seu curso.
E, naquela manhã, suas folhas não pareceram mais negras.
Pareceram apenas folhas.
Porque a lembrança ainda existia, mas já não era uma ferida.
Era uma estação.
E estações, por mais belas ou dolorosas que sejam, foram feitas para passar.