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A raposa e o sabiá.

Dorand2026
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Havia, numa floresta cercada por montanhas azuis, uma pequena raposa que todas as tardes se sentava à sombra de uma figueira para ouvir o som de um velho bandolim.

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Conteúdo da publicação

Havia, numa floresta cercada por montanhas azuis, uma pequena raposa que todas as tardes se sentava à sombra de uma figueira para ouvir o som de um velho bandolim.

Quem tocava era um sabiá de penas já grisalhas. Ele havia aprendido a música muitos anos antes, quando a floresta ainda era jovem e os caminhos não conheciam tantas despedidas.

A raposa costumava perguntar:

— Por que você toca uma música tão triste se já não há ninguém para ouvi-la?

O sabiá sorria.

— Há músicas que não são feitas para trazer alguém de volta. São feitas para lembrar que alguém esteve aqui.

A raposa não compreendia.

Na juventude, acreditava que tudo aquilo que amava deveria permanecer: as árvores, os amigos, os caminhos e, sobretudo, as pessoas que faziam seu coração bater mais depressa.

Certa primavera, conheceu um lobo de olhos luminosos. Caminharam juntos durante meses, dividindo frutos, noites e segredos. A raposa acreditou que aquele encontro seria eterno.

Mas o tempo, que nunca pede licença, levou o lobo para outra parte da floresta.

Ela esperou.

Esperou durante o verão, durante o outono e durante um inverno inteiro.

Quando finalmente percebeu que ele não voltaria, correu até a figueira e encontrou o sabiá tocando seu bandolim.

— Eu perdi alguém — disse ela.

— Não — respondeu o sabiá. — Você perdeu a presença dele. A história, porém, continua dentro de você.

— E isso serve para quê?

O sabiá pousou o bandolim sobre os galhos.

— Para que a ausência não transforme o amor em mentira.

A raposa ficou em silêncio.

Naquele instante, compreendeu que algumas pessoas atravessam nossa vida como a música atravessa a noite: não permanecem no ar para sempre, mas deixam alguma coisa vibrando depois que o último som desaparece.

Os anos passaram.

A raposa envelheceu. A figueira cresceu. O sabiá já não conseguia tocar como antes.

Então, certa tarde, ele entregou o bandolim à raposa.

— Agora é sua vez.

— Mas eu não sei tocar.

— Aprenda.

Ela aprendeu.

E, quando suas patas já estavam cansadas e seus pelos cobertos de branco, começou a tocar a mesma velha melodia para os filhotes da floresta.

Um deles perguntou:

— Quem ensinou essa música à senhora?

A raposa olhou para o horizonte.

— Alguém que um dia amei.

— Ele ainda está aqui?

Ela sorriu.

— Não como antes.

E voltou a tocar.

Porque descobrira, enfim, que o tempo não conserva as pessoas; conserva aquilo que elas foram capazes de despertar em nós.

E foi assim que o velho bandolim continuou atravessando gerações, carregando uma verdade que a floresta aprendeu a respeitar:

há despedidas que encerram uma presença, mas não conseguem encerrar uma história.

Thoughts

  • bmendes97

    Pá, se eu chegasse ao pé de um amigo a dizer que perdi alguém e ele me corrigisse a palavra, levantava-me e ia embora. O sabiá tem razão lá no fim, mas tem pouco jeito para a hora.

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  • Eduardo13

    A música é para lembrar o presente, o passado e o que poderá ser nosso futuro, celebrar, agradecer, simplesmente ouvir a harmonia

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