Havia, numa floresta cercada por montanhas azuis, uma pequena raposa que todas as tardes se sentava à sombra de uma figueira para ouvir o som de um velho bandolim.
Quem tocava era um sabiá de penas já grisalhas. Ele havia aprendido a música muitos anos antes, quando a floresta ainda era jovem e os caminhos não conheciam tantas despedidas.
A raposa costumava perguntar:
— Por que você toca uma música tão triste se já não há ninguém para ouvi-la?
O sabiá sorria.
— Há músicas que não são feitas para trazer alguém de volta. São feitas para lembrar que alguém esteve aqui.
A raposa não compreendia.
Na juventude, acreditava que tudo aquilo que amava deveria permanecer: as árvores, os amigos, os caminhos e, sobretudo, as pessoas que faziam seu coração bater mais depressa.
Certa primavera, conheceu um lobo de olhos luminosos. Caminharam juntos durante meses, dividindo frutos, noites e segredos. A raposa acreditou que aquele encontro seria eterno.
Mas o tempo, que nunca pede licença, levou o lobo para outra parte da floresta.
Ela esperou.
Esperou durante o verão, durante o outono e durante um inverno inteiro.
Quando finalmente percebeu que ele não voltaria, correu até a figueira e encontrou o sabiá tocando seu bandolim.
— Eu perdi alguém — disse ela.
— Não — respondeu o sabiá. — Você perdeu a presença dele. A história, porém, continua dentro de você.
— E isso serve para quê?
O sabiá pousou o bandolim sobre os galhos.
— Para que a ausência não transforme o amor em mentira.
A raposa ficou em silêncio.
Naquele instante, compreendeu que algumas pessoas atravessam nossa vida como a música atravessa a noite: não permanecem no ar para sempre, mas deixam alguma coisa vibrando depois que o último som desaparece.
Os anos passaram.
A raposa envelheceu. A figueira cresceu. O sabiá já não conseguia tocar como antes.
Então, certa tarde, ele entregou o bandolim à raposa.
— Agora é sua vez.
— Mas eu não sei tocar.
— Aprenda.
Ela aprendeu.
E, quando suas patas já estavam cansadas e seus pelos cobertos de branco, começou a tocar a mesma velha melodia para os filhotes da floresta.
Um deles perguntou:
— Quem ensinou essa música à senhora?
A raposa olhou para o horizonte.
— Alguém que um dia amei.
— Ele ainda está aqui?
Ela sorriu.
— Não como antes.
E voltou a tocar.
Porque descobrira, enfim, que o tempo não conserva as pessoas; conserva aquilo que elas foram capazes de despertar em nós.
E foi assim que o velho bandolim continuou atravessando gerações, carregando uma verdade que a floresta aprendeu a respeitar:
há despedidas que encerram uma presença, mas não conseguem encerrar uma história.