Havia um burro que passara tantos anos amarrado a uma cerca que já não precisava de força para permanecer preso. Bastava-lhe sentir a corda no pescoço.
Certo dia, seu dono amarrou a outra ponta a uma pequena pena caída no chão. A cerca havia sido retirada, e diante dele se estendia um campo inteiro, verde e livre.
O burro, porém, não se moveu.
Uma andorinha, curiosa, pousou ao seu lado e perguntou:
— Por que não vais pastar? Não vês que estás preso apenas a uma pena?
O burro puxou a corda uma vez, sentiu-a esticar e recuou assustado.
— Não posso. Estou amarrado.
A andorinha voou em círculos sobre o campo, enquanto o burro envelhecia à sombra de uma prisão que já não existia.
Semente reflexiva: Há prisões que sobrevivem à própria existência porque, depois de tanto tempo obedecendo aos limites, já não precisamos de grades para nos impedir de partir.