Havia uma ilha perdida em algum lugar daquele litoral. Não aparecia nos mapas, não tinha nome e quase nenhum navio se aproximava de suas praias.
Certa manhã, um velho navio surgiu no horizonte.
— Capitão, há terra à frente! — gritou um marinheiro.
O capitão pegou a luneta.
— Terra? Neste ponto do oceano?
— Sim. Uma ilha.
O capitão examinou o mapa.
— Não deveria haver ilha alguma aqui.
O navio aproximou-se lentamente.
A ilha observou aquela embarcação como quem vê, pela primeira vez, alguém que talvez pudesse ficar.
Quando a âncora caiu, a ilha perguntou, em voz baixa, fazendo suas ondas baterem contra o casco:
— Você vai embora também?
O navio pareceu estremecer.
— Ainda não sei.
— Todos dizem isso antes de partir.
— Você está acostumada a ficar sozinha?
— Não. Apenas aprendi a suportar.
O navio ficou em silêncio.
— Eu viajei por muitos lugares — disse ele. — Mas nunca encontrei uma ilha como você.
— E eu nunca encontrei um navio que tivesse parado para me olhar.
Os dias passaram.
A tripulação começou a explorar a ilha. O navio permanecia ancorado, ouvindo suas histórias.
— Por que nenhum mapa fala de você? — perguntou ele certa noite.
— Talvez porque ninguém tenha ficado tempo suficiente para me conhecer.
O navio não respondeu.
Apenas permaneceu.
Até que, certo dia, outro navio apareceu.
Era moderno, veloz e reluzente.
Os marinheiros correram para recebê-lo.
— Capitão! Veja aquele navio! É muito mais rápido que o nosso!
O capitão olhou para o velho companheiro.
— Acho que chegou a hora.
A ilha ouviu.
— Você vai embora?
O navio permaneceu calado.
— Você prometeu que ficaria.
— Eu nunca prometi.
A ilha baixou suas ondas.
— Eu sei. Mas comecei a acreditar.
A tripulação partiu no novo navio.
O velho ficou sozinho.
Durante meses, nenhuma voz humana foi ouvida em seu convés.
Até que a ilha perguntou:
— Está triste?
— Estou.
— Porque eles foram embora?
— Sim.
— Então vá atrás deles.
O navio olhou para o horizonte.
— Não consigo.
— Por quê?
— Porque, pela primeira vez, não quero.
A ilha permaneceu em silêncio.
Então perguntou:
— Você ficaria mesmo sabendo que ninguém voltará?
— Ficaria.
— Mesmo que eu seja apenas uma ilha esquecida?
— Você não é esquecida para mim.
Foi naquele momento que a ilha deixou suas ondas chegarem mais perto do casco.
O tempo passou.
A chuva trouxe sementes.
O vento trouxe folhas.
Pequenos brotos nasceram sobre o convés.
A ilha perguntou:
— Você está deixando plantas crescerem em você.
— Estou percebendo.
— Não vai tentar expulsá-las?
— Não.
— Por quê?
O navio respondeu:
— Porque acho que estou começando a pertencer a este lugar.
Anos depois, árvores cresciam dentro de suas antigas cabines. Flores cobriam seus mastros. Cipós envolviam seu casco.
A ilha olhou para ele.
— Você mudou.
— Você também.
— Eu?
— Antes você era apenas uma ilha.
— E agora?
O navio contemplou as árvores que cresciam sobre seu convés.
— Agora você é meu lar.
A ilha ficou em silêncio durante alguns instantes.
— E eu sou o quê para você?
O navio respondeu:
— O lugar que eu passei a vida inteira procurando sem saber que procurava.
A ilha sentiu suas ondas se aquecerem sob o luar.
— E você?
— O que eu sou?
— Você ainda é um navio?
O velho navio olhou para suas velas desaparecidas, para as raízes atravessando seu casco e para as flores que haviam nascido sobre sua madeira.
— Já não sei.
A ilha sorriu através das ondas.
— Então somos dois lugares que deixaram de ser aquilo que eram.
O navio respondeu:
— Talvez tenhamos nos encontrado justamente por isso.
E permaneceram juntos.
Às vezes, o navio ainda olhava para o horizonte e pensava em todos os mares que havia atravessado.
Pensava naquela estranha descoberta:
— Como pude viajar tanto e nunca ter visto você?
A ilha respondia:
— Talvez você precisasse viajar tanto para finalmente chegar até mim.
E o velho navio, coberto de árvores e flores, compreendeu que alguns encontros não acontecem porque estavam escritos nos mapas.
Acontecem porque, em algum lugar do mundo, duas solidões finalmente encontram onde ancorar.
Moral: Há pessoas que atravessam o mundo procurando um lugar para pertencer, sem perceber que o verdadeiro destino pode ser justamente aquele que não aparece em nenhum mapa.