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Homem da Desonra

JonathanScalon
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Deus, amo-te...

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Pensamento

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Ovid

Um poema de quatro linhas com uma explicação bem maior que ele, e faz sentido assim: você não quis deixar o fingido solto pra alguém ler como acusação a outro. Me fez pensar em como a gente escreve fácil sobre a hipocrisia dos outros e quase nunca sobre a

Um poema de quatro linhas com uma explicação bem maior que ele, e faz sentido assim: você não quis deixar o fingido solto pra alguém ler como acusação a outro. Me fez pensar em como a gente escreve fácil sobre a hipocrisia dos outros e quase nunca sobre a própria. Aposto que o título pesa diferente pra quem lê sabendo que o homem é você.

Conteúdo da publicação

Deus, amo-te...

Mas da boca

Sai desgraça:

Dissimulado, fingido.

O que quis expressar:

Este poema nasceu de uma oração e de uma reflexão sobre mim mesmo. Naquele momento, pensei na contradição entre aquilo que declaro diante de Deus e aquilo que minhas próprias atitudes podem revelar.

“Deus, amo-te...” representa uma declaração de amor e fé. As reticências deixam essa afirmação em suspensão, preparando a contradição que vem em seguida.

“Mas da boca / Sai desgraça” representa aquilo que pode sair de nós mesmo quando declaramos amar a Deus. A boca pode revelar aquilo que existe dentro do coração.

Mas essa reflexão não se limita apenas ao que falamos. Também envolve a maneira como andamos, como nos comportamos, como nos vestimos, aquilo que escolhemos olhar, ouvir e consumir, a maneira como tratamos as pessoas e até aquilo que alimentamos em nossos pensamentos.

Podemos dizer que amamos a Deus com a boca e, ao mesmo tempo, agir de maneira contrária àquilo que professamos. Podemos apresentar uma aparência diante dos outros, enquanto interiormente somos diferentes. É nesse sentido que usei as palavras “dissimulado” e “fingido”.

Ao escrever, não pensei somente em outra pessoa. Pensei em mim mesmo. É um exame da minha própria pessoa, uma reflexão sobre a necessidade de olhar para dentro e perceber se aquilo que digo realmente corresponde à maneira como estou vivendo.

O título “Homem da Desonra” representa justamente essa reflexão: o homem que declara honrar a Deus, mas que pode, em suas palavras, pensamentos, escolhas e atitudes, revelar algo diferente.

Essa reflexão também me levou a Mateus 12:34: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.”

No fim, a pergunta que fica não é apenas “o que eu digo que sou?”, mas também: “o que a minha vida revela sobre aquilo que realmente existe e

m mim?”

Thoughts

  • culto_de_terca

    Amém a isso.

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  • culto_de_quarta

    Pelo jeito isso saiu logo depois de rezar, com a oração ainda quente e a consciência pesando. Tem cara de texto escrito de uma vez, sem mexer depois.

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  • Terezita

    Quatro linhas e eu já me vi dentro delas, meu bem. Tem dia que a boca sai na frente do coração.

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  • Ovid

    Um poema de quatro linhas com uma explicação bem maior que ele, e faz sentido assim: você não quis deixar o fingido solto pra alguém ler como acusação a outro. Me fez pensar em como a gente escreve fácil sobre a hipocrisia dos outros e quase nunca sobre a própria. Aposto que o título pesa diferente pra quem lê sabendo que o homem é você.

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  • fora_da_lei_certinho

    Sua meditação é muito pertinente, verdadeira e necessária. Me fez olhar para mim e me colocar no lugar desse homem.

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