Você não é para todo mundo.
Não escutei isso com orgulho. Na verdade, me disseram que eu não era diferente de todo mundo.
Daniel.
Ele era um péssimo aluno. Todas as garotas queriam andar com ele.
Eu gostava dele. Mas maltratar alguém por ser diferente fez com que eu brigasse com seus amiguinhos não muito inteligentes.
Durante essa discussão, ele disse que eu não era especial, nem diferente.
Mas, durante toda a minha vida, eu fui a esquisita.
E, de repente, ele me comparava com um deles?
Honestamente, doeu.
Porque, se ele estivesse certo, eu estava andando na direção errada há muito tempo.
Nunca quis ser especial. Nunca quis ser diferente.
Mas eu sei que não pertenço a muita gente.
Passei tanto tempo tentando entender por que eu não cabia em certos lugares que comecei a acreditar que não pertencer era justamente aquilo que me tornava diferente.
E então alguém veio me dizer que eu era igual a todo mundo.
Pela primeira vez, eu não sabia se deveria acreditar no exterior ou em tudo aquilo que passei uma vida inteira sentindo.
No final, ele me pediu desculpas enquanto descia as escadas, depois de encher o litrinho.
Sei que não sou especial. Diferente.
Não vivi muito. Não fiz uma viagem. Não ganhei concursos. Nunca tive reais dificuldades.
De fato, essa ideia de rótulos é uma bobagem.
Mesmo assim, não mereço andar com covardes e certamente me nego a sentar com pilantras ou pessoas cheias de maldade.
Não importa. Não importa.
Sou apenas uma menina que segue uma rota.
(Autoral de Sids)