Vamos lá, amor.
Teria como falar sobre o amor
sem falar sobre a dor?
Mas não a dor de partir,
e sim a dor de sentir.
A dor de sentir demais,
de sentir que sem ti eu não consigo me ouvir,
que sem ti eu não consigo dormir,
que até quando tento me distrair,
é em você que minha cabeça insiste em insistir.
Porque amar também dói.
Dói quando a presença vira necessidade,
quando o abraço vira saudade,
quando um silêncio pesa mais
do que qualquer palavra dita pela metade.
E talvez amor nem sempre remeta à dor,
às vezes remete à flor,
ao carinho, ao calor,
à cor.
Mas, se amor tivesse uma cor,
eu diria que é vermelho.
Vermelho de coração,
vermelho de paixão,
vermelho daquela sensação
de entregar o peito inteiro
nas mãos de alguém
sem saber se ele vai voltar inteiro.
Porque é com o coração que a gente sente a paixão,
mas é com ele também que a gente sente a falta,
a espera, o medo
e aquela maldita sensação
de que amar alguém
é dar a essa pessoa
o poder de machucar
sem sequer precisar tocar.
E talvez seja isso que mais doa, amor:
saber que você pode ser meu lugar favorito
e, ainda assim,
ser também o lugar onde mais tenho medo de me perder.