Para Maria Eugênia
Por mais que os traços dessas linhas se percam e ninguém possa entender o que de fato sinto, mando para meu mensageiro, vento praieiro, o que meu coração espera receber. Já perguntei nos terminais e nas igrejas. Quando falo teu nome, renegam tua face. As curvas dadas as avenidas, nos becos, nas favelas, no boca a boca das mulheres; quanto mais busco, mais eu te amo. Um dia, ao andar no mercado pela manhã, um homem me abordou e questionou;
— Por que anda assim? Para cima e para baixo, de um lado para o outro? O que te importa tanto para tanta perturbação?
— Eu estou procurando uma pessoa.
— Quem?
Pois minha garganta trancou e percebi que havia renegado teu outro nome. Corri para casa e fui direto para tuas roupas. Imaginei o quão linda ficaria com os lenços que bordei com seu nome. Maria Eugênia Menezes das Graças. Eu te abraço e me perco. Todas as mulheres do mundo pedem o que tenho no peito, menos você. A vida me despreza e tu me rejeita por ficar. Fico porque acho que tu volta. Então, indago o Ceará; cadê aquela mulher que ne jurou? Aquela que renegou meus presentes, meu colo e meu nome. Quanto mais sonho, mais eu te amo. Para Maria Eugênia, eu criei um espelho, e por ela, eu quebro e construo outro do seu agrado. Dou para ti mil e um sacrifícios para voltar. Mas, seu corpo esfriou e já partiu o último trem da capital. Olho para mim e enxergo seu vestido no abraço. Você volta todos os dias para a casa. Vou voando junto com a brisa pro seu colo acalentar e de tanta dor e sofrimento nossa paz vou encontrar. De mim, Para Maria Eugênia.