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Manuscrito das três faces

miguelv341

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Vagantes condenados: Itsumade

— Me digam: como um jarro de barro se mantém intacto por tantos anos, apesar das intempéries e do desgaste do tempo? Como é possível que um ser vivo se mantenha igualmente firme e resiliente, mesmo após atravessar os perigos implacáveis do rio do tempo? Será que alguém poderia me fornecer uma resposta para essas minhas inquietantes perguntas? Ah, mais uma vez tento buscar respostas, mas só consigo encontrar ainda mais questões a serem desvendadas.

Enquanto era tomado por questionamentos internos, desviava-se dobrando-se como uma árvore antiga, mas com suas raízes fixas na terra, habilmente esquivando-se dos ataques dos inimigos:

— Vocês vêm até mim como mariposas atraídas pela chama, cegamente em direção à sua própria morte. Vocês me culpam por suas próprias perdas e fracassos.

— Cale-se, seu maldito demônio! — gritavam os homens enfurecidos, acusando-o de ser um assassino.

— Vocês direcionam seu ódio e frustração a mim como crianças que perderam seu brinquedo favorito. Mas o único crime deste velho foi simplesmente se defender daqueles que visavam à minha vida — rebateu ele, com calma e resignação.

— Não há desculpas possíveis para os seus atos! Aceite agora a sua punição! — bradavam os soldados.

— Vejo que não conseguiremos chegar a um entendimento por meio de palavras — suspirou o ancião. — Que assim seja, então.

E, sentado sobre a pilha de corpos de seus inimigos, ele limpava cuidadosamente a sua pesada maça de guerra.

Aquela era a cena de um retrato vívido e intrigante: um guerreiro idoso, aparentemente à beira da morte devido à sua avançada idade, mas ainda assim reconhecido como um dos maiores mestres das artes marciais do mundo. Apesar de seu aspecto frágil e envelhecido, esse homem demonstrava uma força que desafiava a passagem do tempo.

O campo de batalha era uma planície reta e destruída por seus movimentos, onde a violenta força da natureza parecia ser convocada em meio ao combate.

Aqueles que tinham a honra de testemunhar suas habilidades em ação ficavam deslumbrados pela elegância e maestria com a qual ele manejava sua arma — uma última e bela visão antes de terem seus destinos inexoravelmente selados diante daquele mestre da arte da guerra.

Alcançando o voo, surgiu um pássaro com corpo de cobra, rosto humano, bico pontiagudo e garras afiadas.

O Itsumade apareceu no céu noturno, sobrevoando em círculos durante toda a noite e gritando com uma voz terrível sobre o campo devastado pela morte.

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