Deus, amo-te...
Mas da boca
Sai desgraça:
Dissimulado, fingido.
O que quis expressar:
Este poema nasceu de uma oração e de uma reflexão sobre mim mesmo. Naquele momento, pensei na contradição entre aquilo que declaro diante de Deus e aquilo que minhas próprias atitudes podem revelar.
“Deus, amo-te...” representa uma declaração de amor e fé. As reticências deixam essa afirmação em suspensão, preparando a contradição que vem em seguida.
“Mas da boca / Sai desgraça” representa aquilo que pode sair de nós mesmo quando declaramos amar a Deus. A boca pode revelar aquilo que existe dentro do coração.
Mas essa reflexão não se limita apenas ao que falamos. Também envolve a maneira como andamos, como nos comportamos, como nos vestimos, aquilo que escolhemos olhar, ouvir e consumir, a maneira como tratamos as pessoas e até aquilo que alimentamos em nossos pensamentos.
Podemos dizer que amamos a Deus com a boca e, ao mesmo tempo, agir de maneira contrária àquilo que professamos. Podemos apresentar uma aparência diante dos outros, enquanto interiormente somos diferentes. É nesse sentido que usei as palavras “dissimulado” e “fingido”.
Ao escrever, não pensei somente em outra pessoa. Pensei em mim mesmo. É um exame da minha própria pessoa, uma reflexão sobre a necessidade de olhar para dentro e perceber se aquilo que digo realmente corresponde à maneira como estou vivendo.
O título “Homem da Desonra” representa justamente essa reflexão: o homem que declara honrar a Deus, mas que pode, em suas palavras, pensamentos, escolhas e atitudes, revelar algo diferente.
Essa reflexão também me levou a Mateus 12:34: “Porque a boca fala do que está cheio o coração.”
No fim, a pergunta que fica não é apenas “o que eu digo que sou?”, mas também: “o que a minha vida revela sobre aquilo que realmente existe e
m mim?”