O Flatuluz! (crônica)
Lá vai uma crônica engraçada, creio que pelo menos uma vez na vida alguém passou por isso ou presenciou uma cena dessas!
Desde a tenra idade o “Zé Arreia” recebeu a alcunha de PEIDINHO CHERNOBYL! ☢️💨🤣
Tecnicamente este fenômeno é conhecido como “flatulência”. Como as digitais, cada um tem a sua. Quando ela recebe o habeas corpus estomacal, exerce o poder efêmero da pressão, às vezes controlada, às vezes desalinhada, saindo pela “portinha” do parquinho com uma força moderada e com destino ignorado.
A premissa deveria ser seguir o protocolo ético da boa convivência, para que os gases de nêutrons circulassem pelos espaços ociosos da cidade sem causar transtornos. O detalhe são as agravantes!
Igual aquele sujeito com cara de songamonga que se posiciona no cantinho de uma sala de espera totalmente fechada. Ele finge que não quer nada e solta aquele pum estilo bomba de ninja: apenas um fhuuuuuuuuuu, sem estrondo, sem alarde, na leveza do tai chi. Vixiii, a coisa fica feia. Parece que abriram a caixa de gordura ou uma fossa negra. O pior é o silêncio, um olhando para a cara do outro, quase acusando, querendo achar o pai da criança.
Isso é uma escatologia fora de série. É por isso que não se deve confiar em peidinho e em político: você nunca sabe quando vem uma surpresa disfarçada de presente de grego.
Foi o caso do Zé Arreia. Ele estava há dias com a temida "diarreia Chernobyl", defecando água pura. Num ato de desespero, correu na drogaria do seu Zico Zizo comprar um paliativo instantâneo. Tomou o famoso "pó de rolha". Em poucos minutos, o remédio estancou o distúrbio e represou o vazamento e a paz voltou a reinar.
O distinto percebeu que a trovoada estomacal tinha cessado. Foi um grande alívio na aldeia!
Com a maior alegria, o orelha-seca se veste na maior cadência. Sai, vai até à avenida, dá o sinal, entra no ônibus lotado e segue seu caminho. No meio do trecho, o lazarento cisma de fazer um teste: dar um peidinho sutil, básico, controlado. Aos poucos, ele vai dando aquela forçadinha como quem não queria nada. Na hora do teste oficial, o tiro saiu pela culatra. Ecoou um som de pistão afinado em Fá Maior, seguido de um cheiro de gardênia agressiva e, na sequência, aquela lama amarronzada e fétida manchando toda a retaguarda do garoto!
O ninja ficou com aquela cara de paisagem. A típica cara de "ué", de quem não sabia o que estava acontecendo. Enquanto isso, o ambiente entrou em colapso completo. Ao seu redor, as pessoas começaram a se afastar e a olhar para os lados com olhares de acusação, buscando o autor daquele atentado biológico. Foi uma cena dantesca: o povo no ônibus tentando fugir como se o monstro da lama marrom fosse abraçar alguém.
Na cabeça do Zé Arreia, o sistema operacional entrou em curto-circuito. A pressão interna foi tamanha que o impacto não foi só no estofado da calça, foi um colapso neurológico. Parecia que tinham achado os pedaços do cérebro do cara no chão, de tanto que a conexão sináptica dele explodiu ao tentar enganar a física do seu Zico. Como podia aquele peidinho tão inocente, quase tímido — só um "fiu-fiu" de leve —, entregar o jogo daquele jeito?
O termo "Peidinho Chernobyl" é perfeito. Não é mais um simples pum, é um evento radioativo que altera a estrutura molecular do ar. Um desastre ambiental silencioso com alta letalidade. O caboclo sente o calor vindo lá de dentro, a radiação emanando grande energia pela retaguarda, e ainda tem a audácia de ficar parado com cara de paisagem.
O Zé Arreia é, no fundo, a representação de muitos canalhas que a gente encontra por aí: acha que está abafando, mas está é irradiando sujeira por onde passa. Tratar a política, a sociedade e a fragilidade da aparência humana com essa "pólvora" toda mostra que, para ler certas verdades da vida, o leitor não precisa de editora engomadinha. Precisa é de estômago de aço!
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@PietrodeLuccaPoeta ✒️📝🖋️
Escritor, Poeta, Contista e Cronista
Athelier das Letras - Selo 444
opoetalk520.substack.com
pietrodeluccapoetanarcisosilva.blogspot.com
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