Uma mãe é para dez filhos.
Divide o pão,
divide o tempo,
divide o colo,
divide os sonhos.
Passa noites em claro,
enfrenta tempestades,
engole lágrimas
para ver cada filho sorrir.
Seu coração aprende a se multiplicar,
porque amar um filho já é imenso,
amar dez
é um milagre diário.
Mas a vida ensina uma verdade amarga:
Uma mãe é para dez filhos...
mas dez filhos, muitas vezes,
não são para uma mãe.
Quando ela envelhece,
quando os passos ficam lentos,
quando as mãos já não têm a mesma força,
o telefone silencia.
Cada filho segue seu caminho,
ocupado demais,
apressado demais,
distante demais.
A mulher que nunca deixou faltar amor
começa a sentir falta de presença.
E dói.
Dói porque ela carregou dez vidas dentro do peito,
mas às vezes não encontra
dez minutos no dia de cada filho.
Ela foi abrigo para todos,
mas acaba enfrentando a própria solidão.
Uma mãe é para dez filhos.
Mas dez filhos deveriam ser para uma mãe.
Deveriam ser abraço quando ela sente frio,
companhia quando a casa fica vazia,
força quando o corpo enfraquece,
amor quando o tempo deixa marcas.
Porque o maior abandono
não é a distância dos quilômetros.
É a distância do cuidado.
E não existe tristeza mais profunda
do que uma mãe que dedicou a vida inteira aos filhos
e, no fim da estrada,
espera por uma visita que não chega,
por uma mensagem que não vem,
por um amor que ela passou a vida inteira entregando
sem nunca pedir nada em troca.