Nossos encontros eram quentes.
Eram fogo consumidor. Suas mãos percorriam meu corpo como quem conhecia cada caminho. Sua barba roçando meu pescoço, arrepiando minha pele. Nosso suor se misturava em meio àquele êxtase, enquanto nossas respirações aceleradas pareciam falar uma linguagem que só nós entendíamos.
Quem diria que um dia isso esfriaria?
Que o calor das suas mãos já não aqueceria minha pele. Que sua barba, antes motivo de arrepios, passaria a me causar alergia. Que nossas respirações ofegantes se tornariam silenciosas. Que os beijos demorados dariam lugar ao costume, e a presença constante se transformaria em distância.
Mas a quem culpar?
Você?
Eu?
Nós dois?
Ou o tempo que se tornou distante?
Talvez a resposta não esteja em encontrar culpados. Talvez esteja em entender que nenhum fogo permanece aceso sozinho.
Uma fogueira só continua queimando quando alguém se preocupa em colocar lenha. Quando é cuidada, alimentada e protegida do vento. Caso contrário, as chamas diminuem, o calor enfraquece e, aos poucos, tudo o que resta são cinzas.
E talvez tenha sido isso que aconteceu conosco.
Não acabou a paixão, o desejo
Não faltou fogo no começo. Falta lenha para mantê-lo vivo.
SSB