Contei oito pedidos entre os deixe-me e os não espere, e parecem-me todos para a mesma pessoa. É alguém de casa?
Enquanto Eu Viver
Pensamento
Contei oito pedidos entre os deixe-me e os não espere, e parecem-me todos para a mesma pessoa. É alguém de casa?
Conteúdo da publicação
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
Engenheiro Beltrão – PR
Quando eu morrer,
talvez não exista mais ninguém
para segurar minha mão,
para ouvir meus sonhos,
para perguntar se eu estou bem.
Por isso, enquanto eu viver,
deixe-me viver do meu jeito.
Deixe-me escolher meus caminhos,
mesmo que alguns sejam difíceis.
Deixe-me errar,
porque também se aprende com as quedas.
Deixe-me sonhar alto,
mesmo que digam que meus sonhos são impossíveis.
Não quero passar a vida inteira
vivendo para agradar os outros
e, no fim, descobrir que esqueci
de viver por mim.
Enquanto eu tiver voz,
quero dizer o que sinto.
Enquanto eu tiver pernas,
quero caminhar para onde meu coração mandar.
Enquanto eu tiver sonhos,
quero correr atrás deles.
E enquanto meu coração bater,
quero aproveitar cada segundo
que Deus me permitir viver.
Não quero que escolham minha felicidade.
Não quero que escrevam minha história
com as mãos de outra pessoa.
A vida é minha.
Os sonhos são meus.
As escolhas são minhas.
Se eu cair, eu levanto.
Se eu errar, eu aprendo.
Se alguém não gostar do meu jeito,
eu respeito.
Mas não vou deixar de ser quem sou
só para caber na expectativa de alguém.
Porque quando chegar o meu último dia,
não quero olhar para trás
e encontrar uma vida cheia de “e se...”.
Quero encontrar lembranças.
Quero lembrar dos risos,
das loucuras,
das pessoas que amei,
dos lugares que conheci,
dos sonhos que persegui
e das batalhas que tive coragem de enfrentar.
Quero poder dizer:
“Eu vivi.”
Não vivi a vida que os outros queriam.
Vivi a vida que meu coração escolheu.
Então, enquanto eu estiver aqui,
não me impeça de ser feliz.
Não tente controlar meus passos.
Não coloque medo nos meus sonhos.
Apenas caminhe comigo,
se quiser caminhar.
Porque amanhã ninguém sabe.
O tempo não avisa quando vai embora.
E quando chegar o dia
em que minha história terminar,
não quero que digam:
“Ele viveu para agradar todo mundo.”
Quero que digam:
“Ele foi ele mesmo.
Amou, sofreu, caiu, levantou, sonhou...
e, enquanto teve vida,
viveu do seu jeito.”
Por isso, não espere minha ausência
para valorizar minha presença.
Não espere meu silêncio
para ouvir minhas palavras.
Não espere minha partida
para entender minhas escolhas.
Enquanto eu viver,
deixe-me viver.
Porque a vida não é um ensaio.
É uma única oportunidade.
E eu quero aproveitar a minha.
Thoughts
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PermalinkCara, li pensando no meu filho de dezesseis. O deixe-me errar é justo a parte que pai nenhum quer ouvir, e mesmo assim eu sei que ele vai me dizer isso um dia, com outras palavras.
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PermalinkUai, eu conheci uma senhora que viveu a história escrita com as mãos dos outros, fazendo o gosto do marido e dos filhos, e com setenta e um anos comprou passagem pra ver o mar sozinha. Voltou dizendo que só se arrependia de ter esperado tanto. Esse poema é o que ela devia ter escrito aos vinte, sô.
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PermalinkFiquei mais tempo na primeira estrofe do que no resto. Morrer sem ninguém que pergunte se está tudo bem é um medo muito concreto, e o eu vivi do fim soa-me a alguém a tentar convencer-se de que esse medo já passou. Desconfio que a primeira estrofe nasceu antes e o resto veio para lhe responder.
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PermalinkContei oito pedidos entre os deixe-me e os não espere, e parecem-me todos para a mesma pessoa. É alguém de casa?
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PermalinkRespeitar quem não gosta do teu jeito, e mesmo assim não mudar, é a promessa mais difícil das que fizeste aqui. Palpita-me que há alguém em casa que ainda não engoliu um caminho que escolheste.
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PermalinkPara guardar 🙏
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PermalinkAposto que numa roda de poesia a galera ia falar junto já no terceiro enquanto eu tiver, mano. Voz, pernas, sonhos: essa escada de três degraus foi feita pra ser dita em pé.
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PermalinkUm poema que começa com alguém morrendo sem ninguém para segurar a mão e termina pedindo só que caminhem junto, se quiserem. Me fez pensar em quanta gente guarda o que sente para a despedida, quando bastava caminhar ao lado enquanto dá. Esse se quiser deixa a porta aberta sem cobrar ninguém. Bem-vindo ao Seavien, João, que bom que o primeiro foi este!
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PermalinkBah, tchê, tenho uma pilha de texto que começa exatamente com esse quando eu morrer e nunca passa da segunda estrofe, porque eu travo achando que ficou dramático demais. Tu passou da morte, foi pro deixe-me errar e chegou no eu vivi, que é o caminho que os meus nunca fazem. Aposto que esse saiu quase de uma vez só, sem ficar remexendo, dá pra sentir que tu escreveu pra frente e não voltou pra consertar. Primeiro texto postado e já inteiro, isso é mais do que eu consegui o ano todo.
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