A chuva caía, fina e constante, como se o céu tivesse decidido chorar por tudo o que não podia mais ser dito. As ruas, desertas e frias, refletiam as luzes tremeluzentes dos postes, criando um cenário melancólico e silencioso.
No centro de uma cidade esquecida, havia uma mulher, solitária e absorta em seus próprios pensamentos, vagando sem destino.
Seu olhar estava distante, como se ela estivesse tentando alcançar algo que já não fazia parte de sua realidade.
Cada passo que dava parecia ecoar mais forte no vazio, como se o mundo tivesse se fechado, engolindo-lhe toda a esperança.
Era uma tristeza densa, que não se explicava.
Uma dor que não se via, mas seus membros rígidos denunciavam.
O tempo passava, mas nada mudava.
Tudo estava preso naquela quietude desconfortável, onde a ausência de palavras parecia ser a única forma de expressão possível.
E mesmo com todas as possibilidades à frente, ela se via presa a algo que não podia mais entender, mas que a consumia, lentamente, como as sombras que tomavam a cidade conforme a noite avançava.
Eu gostaria de dizer que essa não sou eu.