Um poema sobre a vida, o tempo, os sonhos e a beleza de florescer
Autor: João Guilherme Guimarães de Souza
O tempo passa...
sem fazer barulho,
sem pedir licença,
sem voltar para buscar
aquilo que deixamos para depois.
Ele leva consigo manhãs,
abraços, encontros,
palavras que não dissemos,
sonhos que adiamos
e momentos que pensamos
que teríamos outra vez.
Por isso, não espere.
Não espere a vida ficar perfeita
para começar a sorrir.
Não espere alguém chegar
para descobrir que você também
pode florescer sozinho.
Plante seu jardim.
Plante mesmo quando houver inverno.
Plante mesmo quando ninguém acreditar.
Plante quando seus olhos estiverem cansados
e quando o coração disser
que talvez não valha mais a pena.
Porque algumas flores
precisam atravessar a escuridão
antes de conhecerem a luz.
Plante esperança
onde existia medo.
Plante amor
onde um dia existiu tristeza.
Plante perdão
onde ficaram feridas.
Plante sonhos
mesmo que ainda pareçam distantes.
E, principalmente,
plante dentro de si
a coragem de continuar.
Não passe a vida inteira
esperando que alguém traga flores
para provar que você é importante.
Você é mais do que
a atenção que recebe.
Mais do que as mensagens
que alguém responde.
Mais do que os aplausos
que o mundo oferece.
Há uma beleza silenciosa
em quem continua sendo bom
mesmo depois de conhecer a dor.
Há uma grandeza
em quem escolhe amar
sem deixar de amar a própria vida.
E talvez um dia
você olhe para trás
e perceba:
as lágrimas que pareciam
o fim de uma história
eram apenas água
regando o jardim
que você ainda não conseguia enxergar.
Então floresça.
Floresça pelas manhãs
em que você pensou em desistir dos sonhos.
Floresça pelas noites
em que ninguém percebeu sua tristeza.
Floresça por cada vez
que você caiu e levantou.
Floresça sem pressa.
Porque cada pessoa
tem sua própria primavera.
Não compare seu jardim
com o jardim de ninguém.
Algumas flores nascem cedo.
Outras precisam de mais tempo.
E tudo bem.
O importante é não abandonar
a terra onde Deus colocou seus sonhos.
Um dia, o que hoje parece pequeno
poderá se transformar em uma floresta.
Um dia, aquilo que hoje dói
poderá se transformar em sabedoria.
Um dia, você entenderá
que algumas portas fechadas
eram apenas caminhos
para lugares que ainda não conhecia.
E quando esse dia chegar,
talvez você não tenha tudo
o que um dia imaginou.
Mas terá algo muito maior:
memórias.
Terá os risos que viveu,
as pessoas que amou,
os lugares que conheceu,
os sonhos pelos quais lutou,
as lágrimas que superou
e a certeza de que não deixou
a vida passar completamente diante dos seus olhos.
Por isso, enquanto houver tempo,
ame.
Enquanto houver tempo,
perdoe.
Enquanto houver tempo,
abrace.
Enquanto houver tempo,
diga aquilo que seu coração
tem medo de dizer.
Enquanto houver tempo,
olhe para o céu
e agradeça pela oportunidade
de estar aqui.
Porque o tempo não volta.
As páginas viradas
não retornam ao livro.
As primaveras passam.
As pessoas mudam.
Os dias desaparecem.
Mas existe algo
que podemos escolher:
o que faremos com o tempo
que ainda nos foi dado.
Então não fique esperando
que alguém venha decorar sua alma.
Pegue as sementes
que ainda existem em seu coração.
Plante.
Cuide.
Acredite.
Tenha fé.
E quando a primavera chegar,
você poderá olhar para o próprio jardim
e dizer:
“Eu quase desisti de florescer...
mas continuei.”
E talvez essa seja
uma das mais bonitas vitórias da vida:
não ter vivido sem tempestades,
mas ter aprendido a florescer
mesmo depois delas.
“Não espere que alguém lhe traga flores. Plante seu jardim e faça sua própria alma florescer.”
— João Guilherme Guimarães de Souza