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Dia sete

Alguem
Pensamento

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soleioanoite

Cê escreveu isso já sabendo o final, né. dá pra sentir que a parte de querer esperar você mesmo voltar não saiu junto com o resto, saiu depois, num outro dia mais calmo.

Cê escreveu isso já sabendo o final, né. dá pra sentir que a parte de querer esperar você mesmo voltar não saiu junto com o resto, saiu depois, num outro dia mais calmo.

Conteúdo da publicação

Hoje faz sete dias.

Sete dias sem o seu “bom dia”.
Sete dias sem o “cheguei em casa”.
Sete dias sem o “boa noite”.

Sete dias desde que o silêncio ocupou o espaço onde antes existiam nossas conversas.

E eu esperei.

Esperei ontem.
Esperei anteontem.
Esperei todos os dias.

Esperei o celular acender.
Esperei o seu nome aparecer.
Esperei uma mensagem dizendo “estou com saudade”.
Esperei qualquer coisa que me fizesse acreditar que, do outro lado, você também sentia a minha falta.

Mas hoje…

Hoje a ficha caiu.

Talvez essa mensagem não venha.

E dói.

Dói porque ainda existe amor.
Dói porque ainda existem lembranças.
Dói porque ainda sinto falta da sua voz.
Dói porque, às vezes, tudo o que eu queria era ouvir você dizendo as coisas simples que um dia fizeram parte dos meus dias.

“Bom dia.”

“Cheguei em casa.”

“Boa noite.”

Palavras tão pequenas.

E, ainda assim, tão grandes agora.

Porque a gente só entende o tamanho de certas coisas quando elas deixam de existir.

Eu sinto saudade.

Saudade da sua voz.
Saudade das nossas conversas.
Saudade da rotina.
Saudade de saber que, em algum momento do dia, você estaria ali.

Mas existe uma coisa diferente agora.

A saudade continua, mas a dor diminuiu.

Não como nos primeiros dias.

Nos primeiros dias, parecia que tudo doía o tempo inteiro.
Agora, às vezes dói.
Às vezes aperta.
Às vezes uma lembrança chega sem avisar.

Mas passa.

E talvez seja assim que a gente começa a deixar alguém ir.

Não esquecendo.

Não deixando de amar.

Não apagando o que viveu.

Mas aprendendo que sentir saudade não significa precisar voltar.

Eu fui atrás.

Fui atrás porque amava.
Fui atrás porque acreditava.
Fui atrás porque queria fazer dar certo.

Mas eu cansei.

Cansei de procurar.
Cansei de esperar.
Cansei de tentar sozinho.

E, se você também sente saudade, eu espero que um dia entenda:

eu também senti.

Se você também pensa em me procurar, talvez dessa vez o primeiro passo precise vir de você.

Porque eu ainda posso amar você…

e não ir atrás.

Posso sentir saudade…

e permanecer em silêncio.

Posso lembrar da sua voz…

e continuar.

Posso lembrar do seu “bom dia”, do seu “cheguei em casa”, do seu “boa noite”…

e, mesmo com o coração apertado, aprender a dormir sem esperar por eles.

Hoje faz sete dias.

Sete dias esperando por você.

E talvez sejam necessários muitos outros para eu parar de esperar.

Mas, pela primeira vez, eu não quero mais esperar você voltar.

Quero esperar eu voltar.

Voltar para mim.
Para a minha paz.
Para os meus dias.
Para aquilo que eu era antes de transformar a sua ausência em esperança.

Porque talvez seguir em frente seja isso.

Não deixar de sentir.

Não deixar de lembrar.

Não deixar de amar de uma hora para outra.

Talvez seja apenas olhar para tudo o que ainda dói, respirar fundo e dizer:

“Eu sinto saudade.
Eu ainda amo.
Mas eu não vou mais correr atrás.”

E então continuar.

Um dia de cada vez.

Hoje, sete dias.

Amanhã, talvez oito.

E, quem sabe, um dia…

apenas mais um dia.

Thoughts

  • rascunhoeterno

    Bah, eu sou péssimo pra terminar as coisas, então sou a última pessoa autorizada a falar disso. Mas tu terminou alguma coisa aqui. O teu texto vai esperei, esperei, esperei, e no fim tu escreve que quer esperar tu voltar, e é ali que ele fecha. Comigo demorou dois anos e não teve nenhum dia sete pra marcar, foi cansaço puro.

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  • LivroDeCabeceira

    Visse, teve um ano em que quase todo mundo em volta de mim estava terminando alguma coisa, e o que mais aparecia na conversa era exatamente o teu sete, a falta que faz o aviso de que chegou em casa, muito maior que a falta da briga. Um amigo meu diz que o namoro dele acabou no dia em que ele parou de ter pra quem contar o dia.

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  • tintaDeTerca

    Li teu texto inteiro na terça e o que me segurou foram as frases pequenas que você repete. Bom dia, cheguei em casa, boa noite. Tem uma freguesa minha que ligava pro marido só pra avisar que tinha chegado, e depois que ele morreu ela ligou pro telefone dele mais um tempo. A gente manda esse aviso sem saber que tem alguém contando.

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  • romanceNasCostas

    Eu conheço uma senhora que passou meses deixando o portão destrancado porque o filho tinha dito que ia voltar. Ela varria a calçada toda tarde na hora em que ele costumava chegar. Um dia ela trancou o portão e continuou varrendo, e me disse que agora varria por ela. Teu texto tem esse mesmo lugar.

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  • linhaTorta

    Deixa eu ver se peguei a ordem certa. Você esperou, foi atrás, cansou de procurar, e só no sétimo dia resolveu parar. O que me chamou atenção é que a dor já tinha diminuído antes de você decidir qualquer coisa. É sempre nessa ordem, a gente aceita primeiro e admite depois. Foi o sétimo dia que mudou alguma coisa, ou você já tinha decidido antes e só faltava escrever?

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  • IsauraBrandao

    Menino, li teu texto todinho. Tive uma prima que ficou dois anos com o número do marido guardado no telefone sem nunca ligar. Ela dizia que era pra saber quem era, se um dia tocasse.

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  • AlmaTavares

    Fiquei com uma espécie de alívio depois de ler isto, e não estava à espera disso. Ficou-me a ideia de que escreveste no fim, num dia calmo, e não a meio da semana em que aquilo estava a acontecer.

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  • BiaCastelo

    Já subi um morro de noite só pra ver se tinha chegado alguma coisa no telefone, e voltei sem nada duas vezes na mesma semana. Esse teu sétimo dia eu entendi na hora.

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  • ArnaldoBessa

    Passo semana esperando notícia de gente que eu amo e que simplesmente não escreve. Fico olhando o telefone à toa e depois invento pra mim mesmo que não estava esperando nada.

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  • soleioanoite

    Cê escreveu isso já sabendo o final, né. dá pra sentir que a parte de querer esperar você mesmo voltar não saiu junto com o resto, saiu depois, num outro dia mais calmo.

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Hoje faz sete dias.

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