É engraçado como a saudade sabe exatamente onde tocar.
Ela não chega apenas quando você lembra dela.
Às vezes, ela chega quando você está distraído, vivendo um dia qualquer, fazendo alguma coisa qualquer… e, de repente, alguma coisa dentro de você lembra.
Lembra de uma voz.
De um jeito de falar.
De uma frase.
De um olhar.
De um momento que você nem lembrava que ainda estava guardado.
E é estranho…
Porque você achava que tinha esquecido.
Mas não.
Estava tudo lá.
Cada detalhe escondido em algum lugar da memória, esperando apenas um pequeno gatilho para voltar inteiro.
E a saudade é assim.
Ela chega sem bater na porta.
Não pergunta se você está preparado.
Não se importa se você finalmente estava tendo um dia bom.
Ela simplesmente chega.
E, às vezes, vai embora tão rápido quanto veio.
Mas existem dias em que ela escolhe um horário.
Um horário específico.
Aquele horário em que você costumava olhar para o celular esperando uma mensagem.
E talvez seja aí que ela doa mais.
Porque não é apenas saudade dela.
É saudade daquilo que acontecia.
Da expectativa.
Da certeza.
Daquela pequena felicidade de ver o nome dela aparecer na tela.
“Oi, como está seu dia?”
“Vem aqui, estou com saudades.”
“Aconteceu isso…”
“Cheguei em casa.”
“Boa noite.”
Palavras tão pequenas.
Tão comuns.
Tão nossas.
E que, enquanto existiam, a gente nunca imaginou que um dia sentiria falta delas.
Hoje, às vezes, o horário chega antes da saudade.
O relógio marca aquele mesmo momento.
E, por alguns segundos, alguma parte de você ainda espera.
Ainda olha.
Ainda acredita.
Como se o coração não tivesse entendido que aquilo acabou.
Você pega o celular.
Nada.
Espera mais um pouco.
Nada.
E então vem aquela sensação estranha de perceber que a pessoa que fazia parte daquele horário já não faz mais parte dele.
O mundo continua exatamente igual.
O relógio continua andando.
As pessoas continuam vivendo.
O dia continua acontecendo.
Mas existe um pequeno espaço dentro daquele horário que ficou vazio.
E ninguém percebe.
Só você.
Porque ninguém sabe que naquele minuto costumava existir uma mensagem.
Ninguém sabe que naquele horário você sorria olhando para a tela.
Ninguém sabe que você esperava por aquelas palavras.
Ninguém sabe que, naquele instante do dia, você tinha alguém.
E talvez seja isso que mais dói na saudade.
Não é apenas sentir falta de alguém.
É continuar vivendo uma rotina que ainda lembra dela.
É passar pelos mesmos horários com um coração que ainda espera por coisas que já não vão acontecer.
É descobrir que o fim de uma história não apaga imediatamente os hábitos que ela deixou.
Você pode aceitar que acabou.
Pode entender que não vai voltar.
Pode até começar a ficar bem.
Mas, em algum horário qualquer, por alguns segundos…
você ainda espera.
Ainda olha.
Ainda sente.
Ainda imagina a tela acendendo.
E talvez a saudade seja justamente isso:
o coração demorando um pouco mais para entender aquilo que a razão já aceitou.
Ela não traz a pessoa de volta.
Ela só abre, por alguns instantes, uma porta para um lugar onde vocês ainda existiam.
E então você entra.
Lembra.
Sente.
Sorri por uma lembrança.
Dói por outra.
E quando percebe…
a saudade foi embora.
Mas deixou você ali.
No mesmo horário.
Com o mesmo celular na mão.
E com a mesma pergunta silenciosa dentro do peito:
“Por que você não mandou mais aquela mensagem?”