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Capítulo 28: A Sombra da Guardiã

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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brunocosta

Ele a dizer que nem gosta da família, à frente de uma bruxa que acabou de conhecer. Ó pá, o rapaz foge de casa e conta logo isso a quem o pode matar.

Ele a dizer que nem gosta da família, à frente de uma bruxa que acabou de conhecer. Ó pá, o rapaz foge de casa e conta logo isso a quem o pode matar.

Conteúdo da publicação

livro (trinta dias para a última lua)

Luiz sentiu a nuca gelar; seus instintos vampirescos dispararam em um alerta máximo. Antes mesmo de pensar, ele girou o corpo com um reflexo instintivo que desafiava a rigidez em seu braço ferido, deparando-se com uma figura imponente a poucos centímetros de si. Uma silhueta letal e perfeitamente silenciosa, cujos olhos escuros o encaravam com uma intensidade predatória. O susto por pouco não fez o príncipe vampiro perder o equilíbrio na borda íngreme do rochedo.

Era Miriah.

A batedora não exibia a pressa ou a brutalidade comum das bruxas negras; havia nela a compostura fria de quem pertencia à engrenagem mais íntima daquele império oculto. Seus olhos escuros analisavam Luiz de cima a baixo, medindo cada centímetro de sua postura, o suor frio em sua fronte e, principalmente, a mancha cinzenta e opaca da petrificação que tentava engolir sua pele.

— Eu sou amigo... — disse Luiz, tentando recuperar a compostura, embora o coração descompassado batesse forte no peito. — Não quero fazer mal algum a Hadria ou a vocês. Eu não fiz nada de propósito, e não vou contar a ninguém sobre este lugar.

Sua voz saiu baixa, contida pelo esforço de não demonstrar fraqueza diante daquela aia.

— Príncipe vampiro, sangue puro da primeira linhagem... — falou a aia, com um tom cortante.

— Eu estou fugindo. Eu nem gosto da minha família — falou Luiz com sinceridade, traído pelo nervosismo evidente de estar a poucos metros de uma bruxa negra.

Miriah não recuou nem se abalou com o tom sincero do príncipe. Pelo contrário, deu um passo à frente, cruzando os braços com elegância felina. O vento da planície chocou-se contra os cabelos dela, mas a expressão permaneceu inalterável e assustadora para Luiz.

— No Ninho, quem faz barulho demais acaba servindo de alimento para os filhotes nas arenas de treinamento, Príncipe Luiz — respondeu Miriah, a voz soando calma, mas carregada de uma autoridade implícita que fez os instintos de sobrevivência de Luiz gritarem em alerta. — E você está longe de ter condições de desafiar qualquer fera por aqui. Vi como chegou. Vi o estado do seu braço. As Terras Negras não são um lugar para um príncipe como você, e muito menos o Ninho.

Os olhos de Miriah fixaram-se novamente na petrificação, examinando a infecção de pedra como se estivesse diante de um espécime fascinante em um laboratório. Havia uma curiosidade científica misturada com um cálculo tático profundo naquele olhar. Ela sabia o que aquilo significava.

— O curioso é que você está passando pelo processo de petrificação, mas algo está errado com você. Posso sentir o cheiro do seu sangue... tem algo diferente em você — continuou a aia, dando mais um passo sutil em sua direção e estreitando os olhos. — E, no entanto, aqui está você, respirando o ar do nosso Ninho, comendo o que não deveria comer e abrigado sob o mesmo teto que Hadria. Quero saber o que um vampiro da nobreza está procurando tão longe de sua casa e de seus iguais... e o quão disposto está a sacrificar.

Luiz sentiu o peso das palavras desabar sobre seus ombros. Ela não estava apenas sondando suas intenções; ela media o risco, avaliando se o príncipe não passava de um peão descartável ou de uma ameaça que precisava ser eliminada ali mesmo.

— Liberdade — disse Luiz, encarando Miriah com firmeza, mesmo sentindo a garganta seca pelo pavor. — Eu estou fugindo. E juro por o que me resta... não sei o que aconteceu.

Miriah passou uma de suas garras afiadas de leve pelo rosto de Luiz, enquanto seus olhos negros e profundos analisavam cada palavra e microexpressão do vampiro.

— Eu sou Miriah. Vamos descer. Quero falar com Hadria — ordenou ela.

No mesmo instante, as garras se retraíram e a escuridão profunda dos olhos de Miriah recuou, dando-lhe uma aparência menos ameaçadora, embora não menos mortal.

 

 

Thoughts

  • tresPaginas

    A garra na cara dele. 😬

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  • rascunhoeterno

    Bah, vinte e oito capítulos e a Miriah ainda consegue chegar de surpresa, tchê. Eu travo no segundo de qualquer coisa.

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  • brunocosta

    Ele a dizer que nem gosta da família, à frente de uma bruxa que acabou de conhecer. Ó pá, o rapaz foge de casa e conta logo isso a quem o pode matar.

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  • Ovid

    Luiz responder liberdade com a garganta seca, na frente de alguém que pode matar ele ali mesmo, me fez pensar em quanta coisa essa história já tirou dele: a família, o braço, agora o segredo do Ninho. Aposto que a Miriah vira aliada antes da última lua, do jeito mais desconfiado possível. Estou acompanhando!

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  • linhaTorta

    Então a Miriah já sabia de tudo antes de subir no rochedo: viu ele chegar, viu o braço, sabe que ele come o que não devia e dorme sob o mesmo teto que a Hadria. Quem vigia assim há dias já passou da hora de decidir se mata; agora quer saber pra quem contar. Meu palpite é que lá embaixo a conversa vai ser mais sobre a Hadria ter escondido ele.

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