livro (trinta dias para a última lua)
— Não vou apostar. Você é só uma menininha — desdenhou a líder. — Posso apenas tomá-la como escrava porque eu posso e quero. Você não tem força alguma para ganhar uma luta contra uma bruxa. Você é apenas uma garotinha demoníaca.
Movendo-se com velocidade sobre-humana, Hadria desferiu uma sequência letal de chutes no tórax da oponente, erguendo-a do chão com o impacto, e finalizou com um soco potente direto na boca da bruxa.
— Sua pirralha! — rosnou a líder, levantando-se e limpando o sangue, explodindo de raiva. — Como você ousa...
— Eu quero a sua palavra — interrompeu Hadria, implacável, erguendo as mãos e assumindo sua base de combate. — E podem vir as seis. Eu vou dar uma lição em vocês, Bruxas Negras.
Luiz arregalou os olhos e deu um grito:
— Hadria, não!
A mente do vampiro entrou em colapso: já seria um milagre ela ganhar de uma, quanto mais lutar contra as seis ao mesmo tempo.
— Rhana... — chamou uma das guerreiras, dirigindo-se à líder com visível preocupação. — Você não pode dar a sua palavra. Quer mesmo que lutemos contra uma menina?
— Você acha que temos alguma chance de perder? É uma abusada, precisa tomar uma lição — retrucou Rhana, com um sorriso cruel e uma fúria crescente no olhar. Ela se virou para a garota: — Você tem a minha palavra. Se você ganhar, poderão sair do Ninho e você será a comandante do meu esquadrão. Mas se você perder... vou cortar a sua língua e uma de suas mãos. Vou deixá-la mutilada para me servir, e seu amiguinho será meu escravo pessoal. Serei boazinha: não vamos usar nossas garras. Será uma luta puramente corpo a corpo, já que você insiste que não usará sua "magia" de demônio.
— Podem vir as seis — repetiu Hadria, decidida.
A luta brutal começou. As Bruxas Negras eram treinadas desde crianças em diversas artes marciais. Elas não usavam armas forjadas, pois seus corpos e vigor já eram letais. O esquadrão assumiu uma formação de ataque e avançou contra Hadria em perfeita sincronia e rapidez aterradora.
Elas combinavam força bruta, domínio marcial e uma implacável conexão mental. Moviam-se de forma ágil, como um único organismo vivo no campo de batalha, onde cada uma tinha uma função tática milimétrica. Era como se Hadria estivesse enfrentando uma só entidade.
A garota recebeu os primeiros socos e chutes em cheio. O impacto a arremessou para o alto, e ela caiu com um baque surdo contra o chão de pedra.
— Para uma demoníaca, você está aguentando bem — provocou uma das bruxas.
Hadria levantou-se devagar. O sangue escorria do canto da boca. Ela o limpou com as costas da mão e cerrou os punhos novamente. Sem hesitar, as bruxas retomaram a formação e golpearam a garota repetidas vezes, sincronizando os ataques com perfeição. Estranhamente, Hadria não tentava desviar. Ela apenas recebia os golpes com os olhos fixos nos movimentos do esquadrão, como se estivesse mapeando a coreografia e o tempo de cada investida adversária.
Hadria caiu de joelhos. Suas costelas latejavam de dor. Sob a roupa, seu colar de pedra branca pulsava com uma luz fraca, enquanto as amarras místicas que circulavam todo o seu corpo começaram a brilhar intensamente. Todas as vezes em que as amarras brilhavam, a sensação era de que seus ossos estavam sendo quebrados em vários pedaços. A dor era dilacerante, mas, de forma bizarra, Hadria já havia se acostumado àquilo.
Em meio ao massacre, a garota sorriu. Ela havia deixado as Bruxas Negras baterem por um motivo estritamente tático.
— É apenas isso que as famosas Bruxas Negras têm a oferecer? — zombou Hadria, erguendo-se e reassumindo sua postura.
— Você merece essa lição, garota arrogante! — rosnou Rhana.
O esquadrão avançou em uníssono para um novo ataque. Mas, desta vez, Hadria foi absurdamente mais rápida. Com os padrões de ataque decodificados, ela esquivou-se de cada investida adversária no último milissegundo. Movendo-se como um raio, a garota contra-atacou, golpeando as juntas, as bases de equilíbrio e os pontos cegos de cada uma das seis bruxas sucessivamente. O impacto foi devastador. Em segundos, as guerreiras de elite caíram no chão, contorcendo-se de dor e cuspindo sangue.
— Como pode ser...? Ela é apenas uma demoníaca. De onde vem tanta força e agilidade? — ofegou uma das bruxas, atônita, segurando o abdômen.
— Vocês desistem? — perguntou Hadria.
— Nunca! — gritou Rhana.
A luta feroz recomeçou, mas a dinâmica havia mudado completamente. O esquadrão foi severamente espancado e subjugado por Hadria, cujos golpes agora não encontravam defesa.
Subitamente, um estrondo de trovão rasgou o céu. Eram os Bruxos do Sul.
— Estamos sendo atacadas — anunciou a líder do esquadrão, levantando os olhos em sobressalto. Ela olhou para Hadria, limpando o sangue do rosto. — Isso não acabou.
Enviando um comando mental imediato para as guerreiras caídas, Rhana sinalizou a retirada. Elas precisavam voltar aos seus postos para defender o Ninho dos invasores.
— Eu ganhei, e você sabe disso — declarou Hadria em tom definitivo, observando-as recuar.
O revoar de asas de dragões começou a ecoar pesadamente acima deles. Feixes de luz letal e labaredas de fogo cortaram as nuvens escuras. Uma guerra massiva havia eclodido no céu entre as Bruxas Negras montadas em seus dragões e as forças dos Bruxos do Sul.
Aproveitando a distração inimiga, Luiz agarrou a mão de Hadria.
— É a nossa deixa para sair deste lugar. Vamos, Hadria!
Sem esperar resposta, o vampiro a puxou com ímpeto, e os dois começaram a correr na direção oposta à das Bruxas Negras. O Ninho havia mergulhado no caos, e eles precisavam escapar.