Livro (trinta dias para a última lua)
Ao terminarem de subir a escadaria que serpenteava pelas paredes, depararam-se com uma pesada porta de madeira maciça. Havia runas e escritos antigos entalhados em sua superfície, sugerindo que a passagem fora trancada há muito tempo. Luiz olhou para Hadria e levou o dedo aos lábios, exigindo silêncio absoluto. Ela assentiu; o silêncio misterioso daquele lugar gritava que era extremamente perigoso.
Ao cruzarem a porta, saíram no topo de uma das imensas torres do castelo. Caminharam por um corredor aberto, cujos amplos arcos revelavam toda a extensão da propriedade. Era, de longe, o maior e mais suntuoso castelo que Hadria já vira na vida. Os jardins impecáveis estendiam-se até se perderem de vista, desenhando labirintos intrincados entre roseiras e fontes de águas cristalinas. O castelo exibia outras seis torres colossais, interligadas à principal por elegantes pontes suspensas sustentadas por arcos góticos. A estrutura arquitetônica era um deslumbre de proporções gigantescas, com pináculos afiados que rasgavam o céu como se desafiassem a própria gravidade. Suas muralhas não eram feitas de rocha comum, mas erguidas com blocos maciços e polidos de um minério raríssimo que, sob o toque gélido da luz externa, revelava veios cintilantes e refletia um majestoso tom azul-turquesa, conferindo à fortaleza a aura inabalável de uma joia excepcional.
Seguiram em frente. Uma neblina fria rastejava pelo chão, sussurrando presságios sombrios nos ouvidos de Hadria. Entraram em uma nova ala interna, ainda mais majestosa. O ambiente exalava uma riqueza exagerada e sufocante. Imensas tapeçarias antigas, tecidas com fios de ouro e prata, cobriam as paredes. Janelas gigantescas, com vidros espessos e trabalhados, filtravam a luz sobre móveis entalhados à mão, tapetes que engoliam os passos no chão, esculturas de ouro maciço, peças de cristal translúcido e pesados castiçais de prata. No teto, lustres imensos pendiam como constelações luxuosas.
Luiz aproximou-se de Hadria e sussurrou:
— Você sabe onde está o colar?
— Não. A localização diz apenas que é no castelo, mas posso fazer um feitiço que nos levará direto a ele. — Ela olhou ao redor, desconfiada. — Você não acha estranho que um lugar deste tamanho esteja totalmente vazio? Não tem nem servos, escravos, ninguém.
— É estranho, sim — concordou ele, varrendo o ambiente com os olhos. — Por isso precisamos ser rápidos e pegar logo o que viemos buscar.
— A pessoa que mora aqui deve ser muito rica — murmurou Hadria, impressionada com a ostentação.
Nesse exato instante, uma pesada porta dupla se abriu. O tio de Luiz surgiu, caminhando calmamente em direção aos dois, seguido por uma escolta de outros cinco vampiros.
Por um momento, Hadria teve a sensação de que o tempo havia desacelerado. Eles pareciam deslizar pelo piso luxuoso de forma hipnótica e letal. O ar despencou para uma temperatura congelante e a luz do ambiente pareceu focar propositalmente em seus rostos incrivelmente pálidos. Hadria perdeu o fôlego. Eram todos altos, de uma beleza inumana e assustadora. Entre a escolta, havia duas mulheres: uma loira de cabelos longos usando um vestido negro de festa, e uma morena de cabelos castanhos ondulados, vestindo vermelho-sangue, que brincava distraidamente com uma rosa nas mãos. Os outros três vampiros exalavam o mesmo perigo refinado: um era loiro de olhos azuis gélidos, o outro negro como ébano e o terceiro possuía uma pele intensamente bronzeada. Todos usavam trajes de gala, como se estivessem a caminho de uma coroação real.
À frente deles, caminhava Constantino. O tio de Luiz parecia uma escultura viva. Ele aparentava ter cerca de vinte e cinco anos, um contraste brutal com os mais dez milênios de vida que realmente possuía. Alto e majestoso, vestia-se como um verdadeiro príncipe da noite, envolto em uma capa negra com pesados adereços dourados em sua roupa.
— Querida criança... — a voz de Constantino ressoou aveludada, direcionada a Hadria, enquanto um sorriso irônico curvava seus lábios. — Se eu tivesse que viver por toda a eternidade na pobreza, eu me mataria.
Ele continuou avançando implacavelmente na direção de Hadria e Luiz.
— De todos os lugares para onde você não deveria ter ido, você veio parar justamente aqui — continuou Constantino, agora fixando os olhos em Luiz, a poucos passos de distância. — Ou você não sabia para onde estava vindo, ou precisa muito de algo que eu guardo aqui.
O príncipe vampiro deu mais dois passos e se inclinou ligeiramente, o suficiente para olhar o rosto de Hadria bem de perto, analisando-a com uma curiosidade sombria.
Hadria não recuou. Sem demonstrar medo, ela encarou o vampiro. Por um breve instante, a expressão gélida de Constantino vacilou, como se reconhecesse alguém que não via há muito tempo. Seus olhos ficaram marejados. Em um impulso quase hipnótico, ele ergueu a mão para tocar o rosto da garota.
Nesse segundo, Luiz, que observava cada detalhe com tensão absoluta, cortou o espaço entre eles. Com um movimento brusco, empurrou a mão do tio para longe e puxou Hadria, colocando-a protetoramente atrás de si.