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Contrato de Domínio

hyan_amorim

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Segunda-feira, 05 de janeiro de 2026

Aproximo-me da cama e vejo que Bernardo ainda está dormindo.

A culpa me atinge no mesmo instante em que noto seu braço enfaixado. Há também um curativo em seu rosto.

- Ele está dormindo? - pergunta meu pai, confuso. - Agora há pouco ele estava acordado.

- Quem disse que eu estou dormindo? - diz Bernardo, abrindo os olhos.

- Ai, meu Deus! - grito, assustado, dando alguns passos para trás.

- "Ai, meu Deus"? É só isso que você tem a dizer? - rebate Bernardo, incrédulo, enquanto se senta na cama.

- Claro que não, senhor - digo, abaixando a cabeça. - Eu vim aqui pedir desculpas.

- E o que mais? - pergunta ele, arqueando uma sobrancelha.

- Não estou entendendo, senhor - respondo, confuso.

- Pensei que fosse pedir a minha chave Pix - diz Bernardo, com um meio sorriso que não tem nada de amigável. - Segundo você, dinheiro faria a minha raiva passar.

- O senhor entendeu errado - intervém meu pai, tentando amenizar a situação. - Meu filho quis dizer que arcaria com todas as suas despesas médicas.

- E o senhor acha que me trazer para um hospital particular me deixaria mais calmo? - pergunta Bernardo, incrédulo. - Por culpa dessa criatura, eu perdi um negócio muito importante.

- Criatura? - repito, indignado.

- Acho que o único jeito de acalmar a minha raiva é colocando você atrás das grades - diz Bernardo, furioso.

- Senhor, foi um acidente. Eu não fiz de propósito - digo, desesperado.

- Enquanto você dormia, mandei fazer um check-up completo em você - continua Bernardo, encarando-me friamente. - E foi constatado que você ingeriu álcool.

Ele então volta o olhar para o meu pai.

- Eu sei que o senhor tentou abafar isso - acrescenta. - Chegou até a subornar os exames entregues ao policial.

- Agora ferrou... - murmuro, engolindo em seco.

- Acho que, se isso vazasse, não seria nada bom para os seus negócios - diz Bernardo, com um sorriso debochado. - Com uma repercussão negativa dessas, ninguém mais iria querer se hospedar nos seus hotéis.

Eu sabia que ele estava com raiva.

Mas não imaginava que fosse tanta.

Senhor Bernardo Castellani...

Você vai mesmo querer arruinar a minha família?

- Com licença - diz um homem ao entrar no quarto.

Ele carrega uma pasta nas mãos.

- Conseguiu o que eu pedi, pai? - pergunta Bernardo, olhando diretamente para ele.

- Está tudo aqui, filho - responde o homem, balançando a pasta de forma significativa.

- Senhor, por favor, vamos conversar melhor - diz meu pai, claramente nervoso.

- O que é isso? - pergunto, encarando a pasta.

- São os resultados dos seus exames, Ariel - responde Bernardo, olhando-me fixamente.

Sinto um frio percorrer minha espinha.

- Senhor, eu prometo que vou punir o Ariel severamente - diz meu pai, desesperado. - Eu faço o que o senhor quiser.

- Seu filho precisa passar um tempo na cadeia para aprender a lição - diz o pai de Bernardo, com frieza.

- Vai fazer tudo o que eu quiser? - questiona Bernardo, com um sorriso perigoso nos lábios.

- Sim - responde meu pai, firme, sem hesitar.

- Vou ficar uns quinze dias com o braço imobilizado - diz Bernardo, erguendo levemente o braço enfaixado. - Vou precisar de alguém para cuidar de mim.

- Eu posso contratar um enfermeiro particular para cuidar do senhor - digo, tentando manter a calma.

- E por que você não pode cuidar de mim? - rebate Bernardo. - Afinal, foi você quem me deixou nessa situação.

- Eu? - digo, incrédulo.

- Você mesmo, filhinho do papai - debocha ele. - Quero que cuide de mim até que eu melhore.

- Você está louco - digo, sentindo o coração disparar. - Eu não vou fazer isso.

- Vocês decidem - diz Bernardo, agora sério. - Ou isso, ou eu faço a denúncia. Obrigar você a me servir é o único jeito de aliviar a minha raiva.

- Eu prefiro ser preso - respondo, sem pensar.

- Não se preocupe, senhor - diz meu pai rapidamente. - Meu filho vai cuidar do senhor.

- Mas... - tento protestar.

- Fica calado, Ariel - ordena meu pai.

- Tem certeza disso, filho? - pergunta o pai de Bernardo.

- Tenho - responde Bernardo. - Esse é o único jeito de esse mimado aprender uma lição.

Mimado?

Sinto meu sangue ferver.

Quem esse cara pensa que é?

- Estamos à sua disposição, senhor - diz meu pai, enquanto me puxa pelo braço. - Vem, Ariel, vamos voltar para o seu quarto.

Volto para o quarto com ele, o coração acelerado.

- Eu não vou aceitar ficar à disposição daquele cara - digo, revoltado, jogando-me na cama.

- Vai sim. Só assim para você criar juízo, seu moleque - responde meu pai, seco.

- O senhor não pode me obrigar - rebato, cruzando os braços.

- Eu sou seu pai, você tem que me obedecer - diz ele, furioso. - Há três anos você entrou nessa vida de bebidas e drogas. Está na hora de superar tudo isso.

As palavras do meu pai me atingem em cheio, como um soco no peito.

- Amanhã a gente conversa - digo, com a voz trêmula, virando-me para o outro lado. - Eu vou dormir agora.

- Tá bom, então. Descanse - responde ele, mais contido.

Meu pai fala como se fosse fácil superar. Como se fosse simples apagar tudo o que doeu.

Ele não entende...

Não entende a minha dor.

Fecho os olhos e, finalmente, não consigo segurar. As lágrimas escorrem pelo meu rosto.

Terça-feira, 06 de janeiro de 2026

Acordo com meu pai me sacudindo com força.

- Filho, acorda - diz ele, insistente.

- O que foi, papai? - pergunto, ainda com a voz carregada de sono.

- O pai do Bernardo quer falar com você.

Viro o rosto e, ao abrir melhor os olhos, vejo o pai de Bernardo parado ao lado da cama.

Ele se aproxima com uma pasta de couro e uma caneta nas mãos.

- Bom dia, Ariel - diz em um tom frio, quase mecânico. - É só assinar.

Ele estende os papéis em minha direção.

- O que é isso? - pergunto, sentando-me na cama e sentindo um aperto no peito.

Abaixo o olhar e, assim que começo a ler, meu estômago revira.

Era um contrato.

CONTRATO PARTICULAR DE CUIDADOR TEMPORÁRIO

Pelo presente instrumento, de um lado Bernardo Castellani, doravante denominado CONTRATANTE, e, de outro, Ariel Fontenelle, doravante denominado CUIDADOR, fica acordado o que segue:

CLÁUSULA 1ª - DO OBJETO

O CUIDADOR compromete-se a prestar cuidados pessoais, físicos e imediatos ao CONTRATANTE pelo período de 15 (quinze) dias consecutivos, contados a partir da assinatura deste contrato.

CLÁUSULA 2ª - DA DISPONIBILIDADE

O CUIDADOR deverá permanecer à disposição do CONTRATANTE vinte e quatro horas por dia, não podendo se ausentar sem autorização expressa do mesmo.

CLÁUSULA 3ª - DA PRESENÇA OBRIGATÓRIA

O CUIDADOR deverá estar sempre ao lado do CONTRATANTE, acompanhando-o em todos os ambientes, públicos ou privados, sempre que solicitado.

CLÁUSULA 4ª - DO SIGILO ABSOLUTO

Fica expressamente proibido ao CUIDADOR comentar, relatar ou revelar a qualquer pessoa a existência deste contrato ou as condições aqui descritas, sob pena de quebra contratual.

CLÁUSULA 5ª - DAS CONDUTAS PROIBIDAS

Durante o período vigente deste contrato, o CUIDADOR fica terminantemente proibido de:

Ingerir bebidas alcoólicas;

Fumar qualquer substância;

Utilizar drogas ilícitas ou medicamentos sem prescrição médica.

CLÁUSULA 6ª - DO COMPORTAMENTO

O CUIDADOR deverá manter comportamento adequado, respeitoso e obediente às ordens do CONTRATANTE, visando exclusivamente o seu bem-estar.

CLÁUSULA 7ª - DA QUEBRA DE CONTRATO

O descumprimento de qualquer cláusula deste contrato implicará em quebra contratual imediata, ficando o CUIDADOR sujeito às medidas legais cabíveis, incluindo denúncia formal às autoridades competentes.

CLÁUSULA 8ª - DA IRREVOGABILIDADE

Este contrato é firmado em caráter irrevogável e irretratável durante o período de vigência.

E, por estarem de acordo, as partes assinam o presente instrumento.

- Isso é um absurdo - digo, incrédulo, após ler o contrato.

- Esse é o acordo do meu filho. A decisão é sua: assinar ou não - diz o pai de Bernardo, seco.

- Ariel, assine isso de uma vez. São só quinze dias - diz meu pai, firme, sem dar espaço para discussão.

Eu tenho que fazer isso.

Se esse escândalo vazar, vai arruinar os negócios do papai.

- Está feito - digo com a voz trêmula, depois de assinar.

- Ótima escolha - comenta o pai de Bernardo, pegando o contrato das minhas mãos. - Agora se prepare. O Bernardo acabou de receber alta. Você vai com ele para casa.

- Sim - respondo, engolindo em seco.

- Vou mandar buscarem algumas roupas suas em casa - diz meu pai.

Bernardo acabou de receber alta.

E agora estou dentro do carro, sentado ao lado dele, a caminho da casa dele.

Quando chegamos ao condomínio, percebo que não se trata de um lugar de luxo qualquer.

Mansões enormes se alinham pelo caminho, uma mais imponente que a outra.

Finalmente, paramos em frente a uma delas.

O pai de Bernardo nos deixa ali e vai embora.

Por dentro, a casa é ainda mais impressionante.

- Vamos - diz Bernardo, enquanto sobe as escadas.

Pego minha mala e o sigo.

Ele me leva até um quarto.

- Você vai ficar aqui - diz, sentando-se na cama.

- Está bem - respondo, sem discutir.

- Vou tomar um banho. Venha me ajudar - diz ele, levantando-se.

- O quê? - pergunto, chocado.

Ele quer que eu dê banho nele?

É isso mesmo?

- É exatamente isso que você ouviu - responde Bernardo, entrando no closet.

Alguns segundos depois, ele sai apenas de toalha.

Meu coração dispara.

Meu Deus...

Eu vou ver esse homem sem roupa.

É isso mesmo que está acontecendo?

Com o coração acelerado, sigo Bernardo até o banheiro.

- Se você conseguiu tirar a roupa, com certeza consegue tomar banho sozinho - digo, incrédulo.

- Dá para você ficar calado? - responde Bernardo, puxando a toalha.

- Aaaah! - solto um grito escandaloso e viro de costas imediatamente.

- O que foi? - pergunta ele, confuso.

Espio discretamente por cima do ombro e percebo que Bernardo está de short.

- Eu... eu pensei que você estivesse pelado - digo, sem graça.

- Não se preocupe, moço puro. Não vou pedir para você lavar minhas partes íntimas - diz ele em tom debochado. - Só quero que me ajude a esfregar as minhas costas.

Bernardo começa a se ensaboar.

Meus olhos, contra a minha vontade, acabam se demorando nele por mais tempo do que deveriam.

Ele é bonito.

Muito bonito.

Sinto meu rosto esquentar.

Deve ser o vapor do banheiro...

Com certeza é só o calor.

Ou, pelo menos, é nisso que tento acreditar.

Mas, quando Bernardo vira o rosto de lado e cruza o olhar com o meu, um sorriso discreto surge em seus lábios.

E eu percebo, tarde demais, que ele sabe exatamente o efeito que está causando em mim.

#enemigosamantes

#romance

Thoughts

  • CarlaoDoBar

    Já vi pai pagar a conta do filho a semana inteira só pra não ter que conversar com ele em casa. O pai do Ariel suborna exame e assina o filho num contrato do mesmo jeito: resolve tudo, menos a conversa que ficou pra amanhã.

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