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Capítulo 27: O Império Oculto

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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brunocosta

As alas escuras onde os dragões velhos vão descansar ficaram-me na cabeça. Gostei de haver um sítio calmo no meio daquela máquina toda.

As alas escuras onde os dragões velhos vão descansar ficaram-me na cabeça. Gostei de haver um sítio calmo no meio daquela máquina toda.

Conteúdo da publicação

livro (trinta dias para a última lua)

Ele caminhou para fora da cabana rústica e analisou o ambiente. Estavam em uma pequena planície, rodeada por árvores de caule negro e copas grandes e fechadas. Perto dali, observou um rochedo que se erguia acima da copa das árvores; caminhou até lá e subiu. Luiz queria analisar o entorno para descobrir onde estavam, mas pretendia voltar antes de Hadria acordar. Ao longe, erguiam-se outras sete montanhas, e dragões enormes circulavam os picos rochosos, dando rasantes majestosos em uma espécie de dança aérea.

Com a dor parcialmente dissipada entre seus músculos petrificados e os sentidos de vampiro afiados, Luiz segurou o braço ferido, subiu um pouco mais o rochedo e, lá em cima, caminhou até a borda, espiando a imensidão lá fora. A urgência da morte pesava sobre seus ombros; mesmo assim, ele pôde enxergar o cenário com clareza.

O termo "Ninho" era um eufemismo grosseiro. Aquilo não era apenas um abrigo de feras; era um mundo oculto dentro do próprio mundo demoníaco.

O ar pulsava com uma barreira de magia antiquíssima — não conjurada pelas moradoras atuais, mas um escudo criado há milênios para ocultar e proteger os segredos daquela raça. As Bruxas Negras eram um dos maiores mistérios do mundo demoníaco; se outro soubesse daquele lugar, elas estariam em guerra perpétua, porque todos os outros seres que habitavam o reino demoníaco estariam às portas querendo dominá-las. Mas ninguém sabia ao certo de onde haviam surgido ou que ali existia algo tão grandioso. Diferente do exército dos bruxos de luz do Sul e de seus feitiços arcanos, as Bruxas Negras não dependiam de magia conjurada. O poder delas era biológico, letal e instintivo: garras capazes de rasgar aço, força esmagadora, velocidade quase indetectável e uma inteligência tática implacável. Mas se Hadria é uma bruxa negra, de onde vem a magia que ela domina? A origem seria o pai?, questionou Luiz.

Lá embaixo, as estruturas daquela sociedade secreta se revelavam na penumbra iluminada pelo magma. Luiz observou que as vastas plataformas de rocha não serviam apenas como poleiros para os dragões de guerra. Havia alas silenciosas e mais escuras na montanha, reservadas para o descanso honroso dos dragões, feras antigas que repousavam em paz dentro do Ninho.

Em outros platôs, a quilômetros de distância e camuflados pelas sombras, ele conseguiu notar a movimentação de uma engrenagem militar perfeita. O Ninho era uma escola e um quartel-general de treinamento. Pequenos borrões velozes se moviam em arenas de pedra — jovens iniciantes afiando suas garras em combate corpo a corpo, forjando a próxima geração do exército letal sob o olhar severo de suas instrutoras. Se tudo aquilo era apenas um local de treinamento e nascimento dos dragões fora do reino principal das Bruxas Negras, ele imaginou como seria, de fato, o lugar de onde elas originariamente vinham.

— Elas não são apenas montadoras... — sussurrou o príncipe, aterrorizado e maravilhado pela magnitude daquele santuário militar. — Isso é um império.

A visão de vampiro de Luiz ultrapassou os limites dos platôs de treinamento e mergulhou mais fundo na vastidão daquele mundo oculto. Rompendo as nuvens avermelhadas que cobriam o Ninho, os sete vulcões majestosos aqueciam o ambiente com seu calor subterrâneo.

O que o deixou completamente perplexo, no entanto, foi o que havia nas encostas e planícies ao redor daqueles vulcões: aldeias inteiras. Comunidades pacíficas cercadas por plantações verdejantes, vivendo em plena harmonia.

Miriah observava o príncipe vampiro por trás. Luiz estava tão concentrado, absorvendo cada detalhe que sua visão lhe trazia, que nem percebeu quando a aia se posicionou logo atrás dele.

 

Thoughts

  • brunocosta

    As alas escuras onde os dragões velhos vão descansar ficaram-me na cabeça. Gostei de haver um sítio calmo no meio daquela máquina toda.

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  • conto84

    As aldeias inteiras vivendo em paz nas encostas dos vulcões foram o que mais me pegou, gente plantando dentro de uma máquina de guerra. Quem são essas pessoas, elas também são bruxas ou foram parar ali de outro jeito?

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  • linhaTorta

    Ele sai da cabana só pra olhar o entorno e quer voltar antes da Hadria acordar, mas fica tempo demais lá em cima e nem ouve a aia chegando. Ferido, com pressa, e mesmo assim para pra contar vulcão. Aposto que essa demora vai custar alguma coisa mais pra frente.

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  • Ovid

    As alas silenciosas guardadas para os dragões velhos descansarem me fez pensar que esse Ninho tem uma regra de respeito que o resto do mundo demoníaco não parece ter. Aposto que é daí que vem o próximo problema do Luiz: quem cuida dos seus desse jeito também defende com tudo.

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  • lcavalcanti93

    O capítulo inteiro é o Luiz em cima do rochedo olhando, e no último parágrafo a Miriah já está atrás dele sem ele ter percebido nada. Isso me deixou mais tensa do que dragão nenhum. Meu palpite é que ela ouviu a pergunta dele sobre de onde vem a magia da Hadria e vai usar isso depois.

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