Pular para o conteúdo
Carregando…

Capítulo 15 :  Redemoinho

BELADIA

Conteúdo da publicação

livro( trinta dias para a última lua)

Duas horas de caminhada, guiadas por esferas luminosas dispostas estrategicamente entre as fendas do desfiladeiro, levaram a dupla até a margem de um lago subterrâneo. No centro das águas escuras, um redemoinho violento girava sem parar. Parecia um funil colossal, engolindo a água em um rugido constante e ensurdecedor, sugando tudo para as profundezas da terra.

Lá em cima, o dia começava a despontar. Feixes tímidos da luz da manhã rasgavam a penumbra, desenhando e dando contornos dramáticos às pedras vermelhas da caverna. Hadria e Luiz arfavam, exaustos da marcha forçada.

Luiz observou o turbilhão implacável com apreensão, antes de se virar para a garota.

— a porta é isso aí? Você quer mesmo entrar nisso aí? Já fez isso alguma vez? Eu posso morrer afogado, sabia?

— Eu nunca entrei. Você é um vampiro ? -  falou com desdém do medo aparente de Luiz -  É a primeira vez que venho até aqui, mas cresci ouvindo histórias sobre essa porta para o Ninho. É seguro! — respondeu Hadria, lançando lhe um sorriso confiante.

Sem hesitar, ela saltou em direção ao centro do redemoinho e, em um piscar de olhos, foi engolida violentamente pela água.

— Hadria! — gritou Luiz, o pânico momentâneo tomando conta tentou ergue as mãos para impedir mas ela foi mais rápida. Ela pulou sem olhar para trás como se isso fosse algo que fizera a vida inteira.

Ele começou a andar de um lado para o outro na margem, hesitando. Seu braço começara a latejava intensamente. A maldição das areias das Terras Negras avançava; seu antebraço já estava quase inteiramente transformado em pedra cinzenta. Uma dor alucinante invadia seu corpo em ondas punitivas, algo que ele vinha mascarando com muito esforço para não preocupar sua companheira de viagem.

 De repente, um som perturbador ecoou pelas pedras atrás dele — o mesmo estalar de pinças e arranhar de patas articuladas da noite anterior.

— Ótimo... escorpiões gigantes para entrar na equação, eu pulo, morro petrificado, morro sendo a refeição, ou enfrento a água, por que eu vim atras dessa garota — ironizou ele, entre os dentes, andando em direção a água.

Dando um longo suspiro, Luiz percebeu que não tinha escolha. Impulsionando-se com sua velocidade vampiresca, ele se lançou de cabeça no redemoinho, sem dar tempo para o próprio arrependimento. Afinal, ele não sabia nadar.

 

 

 

 

Thoughts

  • HoracioMelo

    Um vampiro que não sabe nadar. Há sempre um pormenor que falta na formação.

    Permalink
  • BiaCastelo

    Ela perguntar se ele é mesmo vampiro, com desdém, soa como quem cresceu longe de tudo e nunca teve paciência pro medo de ninguém.

    Permalink
  • LeandroPocas

    A Hadria salta sem olhar para trás e toda a gente vai chamar a isso coragem. Para mim é imprudência pura: nunca lá tinha entrado e só conhece a porta de histórias que lhe contaram.

    Permalink
  • Simao

    Epá, escorpiões atrás, redemoinho à frente e o homem não sabe nadar. Eu tinha ficado com os escorpiões.

    Permalink
  • Ovid

    O Luiz escondendo da Hadria que o antebraço já virou quase todo pedra deixa esse salto no redemoinho bem mais sério do que as piadas dele sobre escorpiões. Eu fiquei pensando que a ironia é o jeito dele de aguentar a dor na frente dela. Imagino que no Ninho alguém vai reparar nesse braço antes da própria Hadria.

    Permalink
  • anogueira52

    Boa tarde. A Hadria pula no redemoinho só porque cresceu ouvindo história sobre essa porta, e isso eu entendo. Meu pai contava de um poço na roça que dava num rio lá embaixo, e até hoje eu meio que acredito. Desconfio que as histórias dela deixaram de fora alguma coisa sobre o Ninho.

    Permalink

Related posts

Pública 4 conversas 10 pensamentos 33 votos positivos 0 voto negativo 1 série

livro( trinta dias para a última lua)

Em séries

Em grupos