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Capítulo 22: Curiosa e Desobediente (Parte 2)

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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livro (trinta dias para a última lua)

Ela não pensou duas vezes. Fez o improvável: correu por entre as garras do dragão com toda a velocidade que suas pernas permitiam, passando por baixo dele em direção à estreita porta da biblioteca. Um calor absurdo explodiu nas árvores. O dragão levantou voo e girou, mas não foi rápido o bastante. Ainda assim, expeliu fogo nas costas de Hadria; um jato de chamas flamejantes cortou o ar, incendiando a entrada e derretendo as rochas ao redor.

Sem hesitar, Hadria se jogou. Ela mergulhou através da fresta de pedra no exato milésimo de segundo em que as chamas lamberam seus calcanhares.

O baque surdo de seu corpo ecoou pelo salão. Hadria rolou pelo chão de pedra da biblioteca, levantou-se rapidamente e bateu as mãos nas calças para limpar a poeira antiga e as cinzas que haviam grudado no tecido.

Respirando fundo e tentando controlar os batimentos descompassados do coração, ela olhou para a pesada porta chamuscada, agora isolando-a da fera.

— Essa foi por pouco — murmurou, a voz trêmula ecoando na vastidão silenciosa.

Ajeitando a postura, ela deu as costas para o perigo lá fora e seguiu caminhando por um longo e escuro corredor, entalhado diretamente nas entranhas da montanha vermelha, que a levaria ao coração da Grande Biblioteca.

Hadria caminhou pelos corredores. Dentro da montanha, a escuridão era total. Invocando sua magia e inserindo o rastreio do pergaminho nas palavras de poder, ela acendeu uma bola de luz. Aos poucos, a magia tomou forma, nascendo como uma pequena centelha e crescendo até o tamanho de uma bola de futebol. A esfera luminosa levitou até o teto da estrutura, voltou vagarosamente para as mãos de Hadria e, por fim, começou a traçar um caminho até o pergaminho que ela tanto queria.

Com o pergaminho em mãos, ela sorriu feliz e o guardou dentro da bolsa que carregava nas costas. De repente, um barulho fez Hadria instintivamente apagar a bola de luz e se esconder na escuridão.

Vozes vinham da porta da biblioteca. Um silêncio mortal se instalou, sufocando o coração de Hadria, que não ousava sequer respirar. Por fim, uma das vozes soou muito próxima, embora a patrulheira estivesse alheia à presença da garota.

— Não tem nada aqui. Vamos reportar e voltar à patrulha. Algum dragão deve ter encontrado alguma presa lá fora.

A mulher falou para a companheira, e as duas caminharam em direção à porta.

Era uma bruxa negra patrulhando, pensou Hadria. Essa foi por pouco.

Ela permaneceu ali, imóvel na escuridão, por algumas horas, até ter certeza absoluta de que as patrulheiras já haviam partido. Quando Hadria finalmente saiu da biblioteca, já era noite adentro.

 

 

 

 

 

 

 

Thoughts

  • Ovid

    A bola de luz que sobe ate o teto, volta pras maos dela e so depois vai atras do pergaminho me fez pensar que a magia tambem precisa se orientar antes de agir, e pra mim esse detalhe diz muito de como a Hadria funciona. Ela sair noite adentro com o pergaminho na bolsa me deixa achando que o dificil ainda vem. Obrigado por continuar postando!

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  • linhaTorta

    Hadria entra com o dragão cuspindo fogo nas costas, pega o pergaminho e depois fica horas parada no escuro por causa de duas patrulheiras que nem sabiam que ela estava lá. O perigo grande resolveu em dois segundos, o pequeno custou uma noite inteira. Eu fico pensando no Luiz, que no capítulo passado ficou na cabana sem saber onde ela foi, enquanto o pergaminho já está na bolsa dela. Eu aposto que ela chega de madrugada e ele finge que dormiu.

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