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Capítulo 16 : A mordida do Vampiro

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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O impacto foi brutal. A água era congelante, e a força centrífuga do funil o puxou instantaneamente para o fundo. Tudo ficou escuro, o ar acabou, e o desespero apertou-lhe o peito. O pânico apoderou-se do vampiro. Ele debateu-se, tentando nadar para a superfície, mas seu corpo, parcialmente petrificado, estava pesado como uma âncora. Seus movimentos tornaram-se lentos e desesperados. A luz do dia, distorcida pela superfície agitada, começou a desaparecer rapidamente de seus olhos e a escuridão  veio. De repente, a sensação de asfixia e a gravidade sumiram.

Abaixo dele, um imenso lago espelhado refletia um céu inexistente. Luiz foi deslizando pelo ar até pousar suavemente em uma pequena ilha no centro daquele lago imóvel. O cenário era desolador: não havia nada ali, exceto uma única árvore de aparência seca e morta.

Diante do tronco retorcido, Luiz observou o que parecia ser a última folha caindo lentamente em direção ao chão.

— Não deve estar morta... — sussurrou ele para o vazio.

— Ela não está morta. Ela está presa — respondeu uma voz doce.

De trás da árvore, surgiu uma menina usando um casaco de capuz. Era muito semelhante a Hadria. Ela tocou gentilmente a casca seca da planta. De repente, uma luz intensa envolveu a garota. Várias amarras mágicas, grossas como cordas translúcidas, tornaram-se visíveis ao redor de seu corpo, brilhando em resposta.

Diante dos olhos do vampiro, a figura infantil cresceu e desabrochou. Ela se transformou em uma mulher adulta — a mais deslumbrante que Luiz já vira. Alta e esguia, com longos cabelos alvos e um vestido branco finamente trançado, ela possuía uma beleza escultural, mantendo a harmonia dos traços de Hadria, mas maduros e plenos.

A mulher caminhou até ele e tocou seu rosto com delicadeza. Enfeitiçado e inebriado por aquela visão, Luiz não se sentia mais como um jovem príncipe; sentia-se um homem. Ele segurou a mulher pela cintura, puxando-a para si. Seus rostos se aproximaram, os lábios a milímetros de se tocarem.

Mas o encanto se quebrou de forma aterrorizante. Os olhos da bela mulher tornaram-se subitamente negros como o abismo. As mãos que afagavam seu rosto transformaram-se em garras negras e afiadas.

— Solte-a — ordenou a mulher.

Luiz arregalou os olhos e acordou. Ele estava com frio; parecia que seu coração começara a bater como o coração que ele sempre ouvia nos humanos estava batendo  como um tambor em seu peito. Estava deitado, encharcado, nas margens de um rio subterrâneo dentro de uma caverna que desembocava em uma majestosa cachoeira em uma montanha íngreme. Hadria acabara de empurrá-lo violentamente para longe com um soco no estômago, jogando-o contra a parede da caverna. Ela estava com os punhos cerrados e a respiração irregular, quase  perdendo a consciência, tentando  apoiar o corpo em uma das mãos  na pedra molhada e tentava se levantar.

Um gosto quente e metálico inundava a boca do príncipe. Com puro horror, o vampiro juntou as peças e percebeu o que estava fazendo instantes antes de ser golpeado: suas presas estavam cravadas profundamente no pescoço da garota, sugando o sangue dela em um frenesi instintivo para sobreviver ao afogamento.

Antes que pudesse reagir, tentar se explicar ou se afastar ainda mais, o choque físico do soco de Hadria e o peso esmagador da exaustão cobraram o seu preço. Tudo ficou negro novamente, e Luiz mergulhou em um desmaio absoluto.