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Capítulo 17 :  Lembranças  e um sonho.

BELADIA
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livro (trinta dias para a última lua)

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livro (trinta dias para a última lua)

A escuridão engoliu tudo novamente. Seu corpo flutuava no vazio, sendo puxado por uma força invisível para um plano místico.

Uma onde de poder puxou Luiz  forma abrupta para uma escuridão absoluta. Ele foi puxado como se estivesse amarrado a uma corda invisível, arfando pesadamente ao sentir o impacto do puxão. Ele começou a flutuar no escuro, até que uma luz veio ao seu encontro, como se fosse uma linha, sendo levada suavemente pelo vento, novamente o puxão o fez respirar pesadamente. A sensação de queda iminente invadiu o peito de Luiz... e, de repente, uma imagem, como se fosse um filme antigo, apareceu diante de seus olhos.

— Olhe para ele, você não percebeu como ele é estranho? Ele não nasceu para ser quem é, ele tem empatia — gritava um homem com vestimentas formais, de postura aristocrática, falando para uma mulher vestida com um longo traje negro, cabelos compridos e pele branca como a neve.

— Dê um tempo a ele, ele só tem cinco anos. Ele será um predador — esbravejava a mulher. — Se não for assim, eu mesma acabarei com ele.

Com passos rápidos em velocidade vampiresca, o homem segurou a criança pelo pescoço e mostrou-lhe as presas de vampiro. O menino lutava para conseguir respirar contra o aperto implacável.

— Mesmo com a morte iminente, ele não consegue me mostrar que é um vampiro — rosnou o homem, que, com força bruta, jogou o menino contra a parede.

O som seco do corpinho se chocando contra a alvenaria de pedra foi estrondoso, ecoando pela sala medieval imponente. A criança caiu e tentou se levantar; de sua boca escorria sangue. Logo à frente, estava uma mulher de vestido florido, chorando copiosamente, encolhida em um canto da parede.

Tudo aquilo havia se desencadeado porque o menino se recusara a morder o pescoço da humana para se alimentar. Ele olhava para a mulher e sentia empatia; o coração dela pulsava tão violentamente que parecia um tambor em seus ouvidos. O cheiro do medo impregnava toda a sala e, mesmo com a fome consumindo suas entranhas, ele não conseguia mordê-la ou sugar seu sangue. Para ele, o desespero e o sofrimento daquela mulher eram sentimentos muito mais fortes do que a própria fome.

— Você é um predador! — esbravejava o homem para a criança. — Ou você é um predador, ou é uma presa. Não existe meio termo no nosso mundo! — bradou o homem.

Com velocidade vampiresca, o vampiro alcançou a humana. Ela não se moveu diante da agilidade dele; ele a mordeu no pescoço, sugando seu sangue até o coração dela parar de bater.

Luiz reconheceu a lembrança de sua infância: o homem era seu pai, e a mulher era sua mãe. Ele começou a hiperventilar, como se o ar tivesse ficado espesso e não mais entrasse em seus pulmões. Uma onda de escuridão o abraçou, um refúgio que, por um instante, pareceu reconfortante.

A voz de uma menina cortou o silêncio, chamando-o:

— Luiz... neste mundo tão ruim... — falou pausadamente a voz — você nasceu com o coração bom... Sabe o que isso significa?

A voz parecia cada vez mais próxima de Luiz... sussurrando em seu ouvido.

— Eu estou aqui!  Me deixe sair, eu quero SAIR! — gritou a voz, ressoando  por toda a escuridão.

Dois dias  e duas noite se passaram...