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Capitulo 2 - A mulher que o tempo não levou

AllyneMaia
Pensamento

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conto84

Agora é o lado do Pedro da mesma batida do capítulo 1. Ela saiu achando que ele ia bagunçar o coração dela, ele passa a noite achando que não está à altura, e nenhum dos dois pediu o número. Pelo jeito, quem vai ter que dar o primeiro passo é ela.

Agora é o lado do Pedro da mesma batida do capítulo 1. Ela saiu achando que ele ia bagunçar o coração dela, ele passa a noite achando que não está à altura, e nenhum dos dois pediu o número. Pelo jeito, quem vai ter que dar o primeiro passo é ela.

Conteúdo da publicação

Capítulo 2 — A mulher que o tempo não levou

Contado por Pedro

Eu sempre acreditei que algumas pessoas pertenciam ao passado.

Não porque deixassem de ser importantes, mas porque a vida, com o tempo, nos ensinava a colocá-las em lugares onde não precisávamos mais procurá-las.

Clara era uma dessas pessoas.

Ou, pelo menos, era isso que eu tentava acreditar.

Naquela noite, eu havia saído do trabalho mais tarde do que o habitual.

O dia tinha sido puxado. Uma entrega que atrasou, um serviço que precisei refazer e algumas contas que continuavam esperando por uma solução.

Minha vida nunca foi exatamente fácil, mas eu não costumava reclamar.

Aprendi cedo que ninguém construiria meus sonhos por mim.

Aos 33 anos, eu ainda trabalhava muito, economizava o que podia e tentava fazer planos para um futuro que, às vezes, parecia distante demais.

Eu queria ter minha casa.

Queria crescer profissionalmente.

Queria poder olhar para a minha vida e sentir que havia conseguido alguma coisa com as próprias mãos.

Não precisava ser rico.

Mas queria ter orgulho do homem que estava me tornando.

Naquela noite, depois de encerrar o trabalho, entrei no carro e peguei a estrada.

Precisava passar em um lugar antes de voltar para casa. Havia combinado de buscar algumas coisas que deixara com um conhecido, e não queria adiar aquilo para o dia seguinte.

O rádio estava ligado, mas eu mal prestava atenção à música.

Minha cabeça estava cheia.

Pensava nas contas, nos planos, no trabalho.

Pensava em como a vida parecia passar depressa demais.

E em como, apesar de todos os esforços, eu ainda sentia que estava sempre tentando alcançar alguma coisa.

Foi quando o celular vibrou no banco ao lado.

Olhei rapidamente.

Uma mensagem de um amigo.

“Amanhã você consegue me ajudar naquele serviço?”

Respondi enquanto o carro estava parado.

— Consigo sim.

Guardei o aparelho.

Respirei fundo.

E segui.

A estrada estava tranquila.

Eu gostava daquele trecho.

As luzes da cidade iam ficando para trás, e o movimento diminuía. Era um daqueles momentos em que a gente consegue ouvir os próprios pensamentos.

E os meus, naquela noite, estavam mais barulhentos do que de costume.

Havia dias em que eu sentia que precisava mudar alguma coisa na minha vida.

Não sabia exatamente o quê.

Talvez trabalhar mais.

Talvez arriscar um novo negócio.

Talvez simplesmente parar de viver esperando que as coisas melhorassem sozinhas.

Eu tinha sonhos.

Muitos.

Mas também tinha uma insegurança que quase nunca contava a ninguém.

A sensação de que eu ainda não era o homem que gostaria de ser.

De que havia pessoas que nasceram para viver determinadas coisas.

E outras que precisavam se contentar em admirá-las de longe.

Clara sempre esteve nesse segundo grupo de pensamentos.

Não porque eu achasse que ela fosse melhor do que eu.

Mas porque, na minha cabeça, ela representava tudo aquilo que eu ainda não havia conseguido construir.

Uma mulher decidida.

Inteligente.

Bonita.

Com uma vida que parecia caminhar na direção certa.

Eu me lembrava dela mais vezes do que gostaria de admitir.

E, quando isso acontecia, eu tentava mudar de assunto comigo mesmo.

Já passou, Pedro.

Faz muito tempo.

Cada um seguiu a própria vida.

Era o que eu repetia.

Até acreditar.

Ou quase.

O impacto aconteceu de repente.

Um barulho seco.

O carro deu um solavanco.

Meu corpo foi projetado para a frente, e por um instante fiquei sem entender o que havia acontecido.

Pisei no freio e olhei pelo retrovisor.

Um carro havia batido na traseira do meu.

— Meu Deus...

Fiquei alguns segundos parado, tentando processar.

Depois desliguei o rádio e saí do veículo.

— Está tudo bem? — ouvi uma voz perguntar.

Uma voz feminina.

Levantei os olhos.

E então o mundo parou.

Não sei se existe uma maneira certa de descrever o que senti naquele instante.

Talvez surpresa.

Talvez incredulidade.

Talvez uma parte de mim reconhecendo alguém antes mesmo que a minha razão conseguisse aceitar.

Eu olhei para ela.

E soube.

Mesmo depois de tantos anos.

Mesmo com o rosto diferente, o cabelo diferente, o jeito de se vestir, a postura de uma mulher que havia vivido muito mais do que eu conhecia.

Eu soube.

— Clara?

Ela me olhou como se também estivesse tentando confirmar se aquilo era real.

— Pedro?

Meu nome na voz dela.

Foi isso que me atingiu primeiro.

Não o acidente.

Não o carro.

Não a estrada.

A voz.

Aquela voz que eu não ouvia havia tantos anos, mas que a minha memória parecia ter guardado em algum lugar intacto.

Fiquei sem saber o que dizer.

A menina que eu conheci aos 17 anos estava ali.

Mas não era mais uma menina.

Era uma mulher.

E eu não fazia ideia de como lidar com aquela sensação.

— Você está bem? — perguntei.

Ela assentiu.

— Estou. E você?

— Também.

Mentira.

Fisicamente, eu estava bem.

Mas havia alguma coisa dentro de mim que tinha acabado de sair do lugar.

Clara sorriu de leve.

Aquele sorriso.

Eu lembrava.

Lembrava de como ela costumava sorrir quando estava feliz, quando ficava sem graça, quando tentava disfarçar alguma coisa.

Mas aquele sorriso agora era diferente.

Mais maduro.

Mais seguro.

Ela parecia ter encontrado uma versão de si mesma que eu nunca havia conhecido.

E isso me fez pensar em tudo o que eu não sabia sobre a vida dela.

O que havia acontecido nesses anos?

Quem ela havia se tornado?

O que havia vivido?

Será que havia sido feliz?

Será que alguém a amou da maneira que ela merecia?

A última pergunta me veio tão naturalmente que eu precisei afastá-la.

Não era da minha conta.

Eu não tinha esse direito.

Mas o pensamento já havia surgido.

E não queria ir embora.

— Quanto tempo — falei.

Ela sorriu.

— Muito tempo.

Eu poderia ter dito tantas coisas.

Você está linda.

Eu me lembro de você.

Eu pensei em você.

Eu nunca esqueci completamente.

Mas nenhuma delas parecia apropriada.

Então fiquei ali, tentando agir como se aquele fosse apenas um encontro casual.

Como se meu coração não tivesse acabado de reconhecer alguém que eu havia aprendido a não esperar.

— Você está indo para Jaguariaíva? — perguntei, olhando para a direção da estrada.

— Estou. Vou passar uns dias na casa de campo.

Casa de campo.

Sorri.

Ela ainda gostava de fugir para o interior.

Ainda buscava aquela paz que sempre pareceu fazer parte dela.

— Ainda gosta de fugir para o interior?

Ela riu.

— Ainda.

E eu não consegui evitar o sorriso.

— Algumas coisas não mudam.

Mas, enquanto dizia aquilo, percebi que quase tudo havia mudado.

Nós havíamos mudado.

Eu não era mais o rapaz que ela conheceu.

Ela não era mais a garota por quem eu havia sido apaixonado.

E, ainda assim, havia alguma coisa ali.

Uma familiaridade estranha.

Como se o tempo tivesse levado nossas vidas para longe, mas não tivesse conseguido apagar completamente o que existiu.

Enquanto conversávamos, comecei a perceber detalhes que não tinha notado de imediato.

O carro dela.

As roupas.

O jeito como falava.

A segurança com que se movimentava.

Clara havia construído uma vida.

Uma vida grande.

Eu não sabia exatamente o tamanho, mas conseguia perceber que ela havia chegado a lugares que eu ainda estava tentando alcançar.

E, pela primeira vez, senti aquela velha insegurança voltar.

A mesma que me fazia acreditar, tantos anos atrás, que talvez eu não fosse suficiente para ela.

O que eu estou fazendo aqui?

O que uma mulher como ela poderia querer de mim?

Não era uma questão de dinheiro apenas.

Era a sensação de que ela pertencia a um mundo diferente.

Um mundo onde eu não sabia se conseguiria entrar.

Olhei para as minhas mãos.

Mãos de homem que trabalhava.

Mãos marcadas pelos dias difíceis.

Mãos que ainda carregavam sonhos.

E pensei que talvez ela nem se lembrasse de quem eu era naquela época.

Talvez, para ela, eu fosse apenas uma lembrança bonita da adolescência.

Um capítulo encerrado.

Enquanto, para mim...

Bem.

Eu não tinha certeza se aquele capítulo havia terminado completamente.

— Você vai sozinha? — perguntei.

— Vou.

Olhei para a estrada.

Estava tarde.

E, apesar de tudo o que estava acontecendo dentro de mim, havia uma preocupação sincera.

— Quer que eu te acompanhe até a cidade?

Ela me olhou.

Por um segundo, tive a impressão de que também estava nervosa.

— Não precisa. Eu estou bem.

Assenti.

— Eu sei. Mas está tarde.

Ela ficou em silêncio por um instante.

Depois sorriu.

— Tudo bem.

E foi nesse momento que eu percebi uma coisa.

Eu não queria que aquela conversa terminasse.

Não ainda.

Eu queria saber mais.

Queria ouvir a voz dela novamente.

Queria descobrir quem era aquela Clara que estava diante de mim.

Mas, ao mesmo tempo, tinha medo de me aproximar demais.

Medo de criar expectativas.

Medo de descobrir que ela havia seguido em frente de uma maneira que eu não conseguiria acompanhar.

Medo de que aquele encontro significasse muito mais para mim do que para ela.

Quando voltei para o meu carro, fiquei alguns segundos parado antes de ligar o motor.

Olhei pelo retrovisor.

Clara estava entrando no próprio veículo.

O mesmo gesto tranquilo.

A mesma postura decidida.

Mas agora eu sabia que ela estava ali.

Na mesma estrada.

Na mesma noite.

Depois de tantos anos.

E isso me deixou inquieto.

Não era apenas a surpresa.

Era a sensação de que alguma coisa havia sido despertada.

Uma lembrança.

Uma possibilidade.

Uma pergunta.

E se?

Eu não gostava daquela pergunta.

Ela sempre me pareceu perigosa.

Porque, quando a gente começa a imaginar o que poderia ter sido, corre o risco de esquecer tudo o que precisou viver para chegar até aqui.

Mas naquela noite, eu não consegui evitar.

E se eu tivesse sido mais corajoso?

E se tivesse dito o que sentia?

E se a vida tivesse nos dado outra chance?

Balancei a cabeça.

— Para com isso, Pedro.

Liguei o carro.

Mas a verdade era que eu já não conseguia simplesmente mandar meu coração parar de pensar.

Segui pela estrada.

O rádio continuava ligado, mas agora eu prestava atenção em cada música.

Talvez porque todas parecessem combinar com aquele momento.

Talvez porque eu estivesse tentando encontrar alguma explicação para o que havia acabado de acontecer.

Clara.

Depois de tantos anos.

Eu tinha imaginado aquele reencontro algumas vezes.

Em pensamentos rápidos.

Em lembranças que surgiam sem aviso.

Mas nunca havia pensado que aconteceria assim.

Sem preparação.

Sem tempo para escolher as palavras.

Sem chance de esconder o que o rosto talvez tivesse revelado.

E, quanto mais eu pensava, mais uma certeza começava a tomar forma:

Eu queria vê-la novamente.

Não sabia como.

Não sabia quando.

Não sabia se ela gostaria.

Mas queria.

Queria conversar.

Queria conhecer a mulher que ela havia se tornado.

Queria descobrir se aquela antiga conexão ainda existia ou se era apenas a minha memória tentando transformar um acidente em alguma coisa maior.

Cheguei em casa mais tarde do que pretendia.

Estacionei o carro e fiquei alguns minutos sentado, olhando para o volante.

A casa estava silenciosa.

Eu deveria estar cansado.

Mas o sono parecia distante.

Peguei o celular.

Abri as mensagens.

Fechei.

Abri novamente.

Não tinha o número dela.

Não tinha nenhuma maneira de falar com ela.

E isso me incomodou mais do que deveria.

Sorri sozinho.

— Você está ficando maluco.

Talvez estivesse.

Depois de tantos anos, uma batida de carro havia conseguido fazer o que nenhuma lembrança havia feito antes:

Me deixar querendo respostas.

Deitei, mas não consegui dormir imediatamente.

A imagem dela continuava voltando.

Clara parada diante de mim.

O jeito como disse meu nome.

O sorriso.

A surpresa.

E aquele olhar que eu não sabia interpretar.

Eu me perguntava se ela havia sentido alguma coisa parecida.

Ou se, para ela, eu era apenas um homem que havia saído de um carro depois de um acidente.

Talvez fosse isso.

Talvez eu estivesse criando significado onde só existia coincidência.

Mas, mesmo tentando ser racional, havia algo dentro de mim que não conseguia aceitar que aquela noite tivesse sido apenas mais uma noite.

Porque, depois de tanto tempo, eu tinha encontrado Clara.

E, pela primeira vez em muitos anos, uma lembrança do passado não me trouxe apenas saudade.

Trouxe vontade de descobrir o presente.

Na manhã seguinte, acordei antes do despertador.

O celular estava ao lado da cama.

Peguei-o.

Abri as redes sociais.

Não sabia exatamente o que estava procurando.

Até que vi o nome dela.

Clara.

Fiquei olhando para a tela.

A foto de perfil mostrava uma mulher que eu não conhecia completamente.

Mas havia algo familiar naquele sorriso.

Entrei no perfil.

E comecei a descobrir, aos poucos, a vida que ela havia construído.

Fotos de viagens.

Confeitaria.

Inaugurações.

Momentos ao lado de Helena.

Lugares que eu nunca havia visto.

Uma vida inteira acontecendo longe de mim.

E eu fiquei ali, olhando.

Não por inveja.

Não por curiosidade vazia.

Mas porque, de repente, eu queria entender quem ela era.

A mulher que havia se tornado.

A mulher que a vida havia colocado novamente no meu caminho.

Naquela noite, depois de chegar em casa, eu tentei agir como se tudo estivesse normal.

Tomei banho, preparei alguma coisa para comer e me sentei no sofá.

Mas minha cabeça continuava na estrada.

Clara.

O nome dela parecia ter encontrado um espaço dentro de mim que eu não sabia que ainda existia.

Eu me lembrava do jeito como ela havia me olhado.

Da surpresa em sua voz.

Do sorriso que apareceu quando reconheceu meu rosto.

E, principalmente, da sensação de estar diante de alguém que eu havia conhecido em outra vida.

Uma vida em que eu ainda não entendia muita coisa sobre o amor.

Uma vida em que eu tinha sonhos, mas não sabia se algum dia conseguiria realizá-los.

Agora, tantos anos depois, ela estava ali.

Uma mulher.

Uma empresária.

Alguém que havia construído a própria história.

E eu?

Eu ainda estava tentando construir a minha.

Peguei o celular e fiquei olhando para a tela.

Por um instante, pensei em procurar o nome dela.

Talvez encontrasse alguma fotografia.

Talvez descobrisse mais sobre sua vida.

Talvez...

Parei.

Não.

Eu não queria transformar aquele encontro em uma expectativa.

Não queria começar a imaginar coisas que talvez nunca acontecessem.

Clara havia seguido sua vida.

Eu também.

E talvez fosse melhor deixar aquela noite exatamente onde ela havia acontecido.

Na estrada.

No acaso.

Na lembrança.

Bloqueei o celular e o deixei sobre a mesa.

Mas não consegui evitar um sorriso.

Porque, apesar de toda a razão que eu tentava usar para convencer a mim mesmo de que aquilo não significava nada, uma parte de mim continuava repetindo:

Era a Clara.

A mesma Clara.

Depois de tantos anos.

Na manhã seguinte, acordei com a sensação de que havia sonhado.

Mas não.

O carro ainda estava na garagem, com a marca do acidente.

E a lembrança dela continuava intacta.

Durante o trabalho, tentei me concentrar.

Havia coisas para resolver, compromissos para cumprir e sonhos que não podiam esperar.

Mas, em alguns momentos, eu me pegava pensando em como ela estaria.

Se havia chegado bem à casa de campo.

Se estava descansando.

Se havia comentado com alguém sobre o acidente.

Se, em algum momento, também havia pensado em mim.

A última pergunta me fez balançar a cabeça.

— Para com isso, Pedro.

Eu não tinha o direito de esperar nada.

Não depois de tantos anos.

Não quando sequer sabia como a vida dela havia sido.

Naquela tarde, ao terminar o trabalho, passei pelo lugar onde nossos carros haviam se encontrado.

A estrada estava tranquila.

O mesmo asfalto.

As mesmas árvores.

Mas tudo parecia diferente.

Parei por alguns minutos e olhei para o trecho onde ela havia saído do carro.

Era estranho pensar que um lugar tão comum pudesse guardar uma lembrança tão inesperada.

Eu havia saído de casa naquela noite pensando em trabalho, contas e futuro.

E voltado com uma pergunta que não conseguia responder.

Por que agora?

Por que, depois de tantos anos, a vida havia colocado Clara novamente diante de mim?

Eu não sabia.

Talvez fosse apenas uma coincidência.

Talvez fosse uma daquelas histórias que a gente entende somente depois de muito tempo.

Ou talvez não fosse nada.

Talvez aquela tivesse sido apenas uma batida de carro.

Um encontro inesperado.

Uma lembrança bonita.

E nada mais.

Entrei no carro e liguei o motor.

Antes de sair, olhei uma última vez para a estrada.

Eu não sabia que Clara estava vivendo os mesmos questionamentos.

Não sabia que, enquanto eu tentava entender o que aquele reencontro havia causado em mim, ela também carregava suas próprias perguntas.

Não sabia que nossas vidas, tão diferentes, estavam prestes a se aproximar de uma maneira que nenhum dos dois havia planejado.

Naquele momento, eu só sabia de uma coisa:

Eu havia reencontrado a mulher que um dia amei.

E, mesmo sem procurá-la, mesmo sem saber se voltaria a vê-la, alguma coisa dentro de mim havia despertado.

Uma lembrança.

Uma saudade.

Uma possibilidade.

Mas eu ainda não estava pronto para descobrir o que aquilo significava.

Talvez porque, no fundo, eu tivesse medo de que Clara continuasse sendo tudo aquilo que eu sempre imaginei.

E eu continuasse sendo apenas o homem que acreditava não estar à altura dela.

Naquela noite, antes de dormir, pensei nela mais uma vez.

E, pela primeira vez em muitos anos, não tentei afastar a lembrança.

Apenas fechei os olhos.

E deixei que o tempo me dissesse se aquele reencontro havia sido apenas um acaso...

Ou o começo de alguma coisa que nenhum de nós ainda conseguia enxergar.

Thoughts

  • rmoraes52

    De manhã fuçou o perfil inteiro dela, de noite jurou que nem ia procurar o nome. Pedro, tu não engana nem a ti mesmo.

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  • conto84

    Agora é o lado do Pedro da mesma batida do capítulo 1. Ela saiu achando que ele ia bagunçar o coração dela, ele passa a noite achando que não está à altura, e nenhum dos dois pediu o número. Pelo jeito, quem vai ter que dar o primeiro passo é ela.

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