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Quando os quinze minutos terminam

Dudaah

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Continuação de “Se forem só quinze minutos, que sejam nossos”.

E se foram quinze minutos…

Por que ainda te procuro nas horas que sobraram?

Por que, depois de te encontrar, o mundo pareceu ainda maior, as ruas mais vazias e o caminho de volta tão mais longo do que aquele que me levou até ti?

Talvez ninguém tenha nos contado que alguns encontros não terminam quando os corpos se afastam.

Há despedidas que continuam acontecendo por dentro.

Elas permanecem no banco onde nos sentamos, no caminho que percorremos, no último olhar antes de partir.

E, principalmente, naquele instante em que a gente percebe que ainda tinha tanto para dizer, mas o tempo já estava fechando a porta.

Eu voltei levando tão pouco nas mãos…

E tanto de ti dentro de mim.

Quinze minutos.

Era o que tínhamos pedido ao destino.

Mas quem foi que ensinou o coração a calcular sentimentos em minutos?

Como explicar que, em tão pouco tempo, coube uma saudade que eu não sabia nomear, um abraço que ainda me acompanha e uma vontade absurda de voltar para um lugar que, por alguns instantes, deixou de ser lugar e se tornou pessoa?

Desde então, tenho pensado em nós.

Não apenas no que vivemos, mas em tudo aquilo que quase aconteceu.

Nas palavras que ficaram presas na garganta. Nos segundos que desperdiçamos tentando disfarçar o quanto queríamos que o relógio parasse.

E naquele último instante…

Ah, aquele último instante.

Quando a gente sabe que precisa ir, mas alguma coisa dentro de nós continua ficando.

Talvez seja esse o preço dos encontros raros: a gente aprende a ser feliz na presença e, depois, precisa reaprender a respirar na ausência.

Ainda assim, eu não me arrependo.

Porque, se antes tu eras uma vontade que a distância alimentava, agora és também uma lembrança que a realidade confirmou.

Eu sei como é estar perto de ti.

E talvez seja justamente isso que tenha tornado tudo mais difícil.

Antes, eu imaginava o teu abraço.

Agora, meu corpo se lembra.

Antes, eu sonhava com a possibilidade de te olhar nos olhos.

Agora, sei o que acontece comigo quando os teus encontram os meus.

E existe uma crueldade delicada em conhecer aquilo que a gente deseja, mas ainda não pode ter por inteiro.

Porque depois de provar um instante de proximidade, a alma começa a fazer perguntas que antes não tinha coragem de formular.

E se houvesse mais tempo?

E se a distância não fosse tão grande?

E se, um dia, a gente não precisasse marcar hora para sentir saudade de perto?

Não tenho respostas.

Só sei que, desde aquele encontro, os quinze minutos deixaram de ser apenas uma medida de tempo.

Tornaram-se uma espécie de promessa que ninguém fez em voz alta, mas que alguma coisa em mim insiste em esperar.

E eu me pergunto se tu também guardaste aquele instante assim.

Se, em algum momento inesperado, o teu pensamento voltou para o mesmo lugar que o meu.

Ou se fui eu quem permaneceu por mais tempo num encontro que, para ti, já terminou.

Talvez essa seja a parte mais difícil de gostar de alguém que vive longe:

não saber se a saudade tem o mesmo endereço nos dois corações.

Mesmo assim, há noites em que me permito imaginar um futuro diferente.

Um em que a gente não precise transformar quilômetros em coragem, nem despedidas em promessas silenciosas.

Um futuro em que, ao chegar a hora de ir, ninguém precise perguntar quanto tempo ainda resta.

Porque haverá amanhã.

E depois de amanhã.

E tantos outros dias que quinze minutos serão apenas o começo de uma conversa, nunca mais o limite de um encontro.

Mas, por enquanto, ainda somos feitos de distâncias.

De caminhos que precisam ser percorridos, de vontades que precisam esperar e de um tempo que parece sempre pertencer a tudo, menos a nós.

Por isso, se me perguntarem o que fiz com aqueles quinze minutos, direi que os guardei.

Não como quem guarda algo que perdeu.

Mas como quem encontrou, por um breve instante, uma razão para acreditar que certas coisas merecem ser vividas, mesmo quando ainda não sabemos como.

E talvez seja isso que o amor faça com a gente:

não prometa que vai dar certo.

Apenas nos mostre que existem encontros capazes de mudar o significado de tudo o que vem depois.

Então, se um dia o destino nos conceder outros quinze minutos, eu não vou pedir que o relógio pare.

Vou pedir algo muito mais difícil.

Que a vida nos ensine a chegar um ao outro sem que seja preciso partir logo depois.

Porque já não quero apenas os minutos que conseguimos roubar do mundo.

Quero descobrir o que seríamos se, pela primeira vez, o mundo nos deixasse ficar.

E talvez…

Talvez seja aí que a nossa história realmente comece.

Porque, no fundo, a pergunta nunca foi quanto tempo teríamos.

A pergunta é: o que faremos quando, finalmente, tivermos tempo?

Thoughts

  • historiaviva

    Gostei de o lugar do encontro virar a própria pessoa no meio do texto. Banco de praça é assim, rapaz: anos depois a gente passa e ele ainda tem nome e sobrenome.

    Permalink
  • Gal

    Desconfio que esse banco já ganhou mais reencontro planejado de cabeça do que quinze minutos vividos. A gente refaz o plano mil vezes antes de comprar a passagem.

    Permalink

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