Querido girassol, hoje me peguei sentindo falta de ti, e principalmente de mim, daquela parte minha que você levou contigo quando se foi.
Custei a entender que quanto mais eu lhe amava mais de mim depositava em tuas mãos, e agora você partiu, deixando em meu peito o silêncio de uma ausência que não sei nomear e a dolorosa sensação de ser apenas metade daquilo que um dia fui inteira.
Você me chamava de sol, dizia que eu iluminava seus dias, que o brilho de meus olhos fazia sua vida ter cor, mas e agora? Você se foi, levando esse brilho contigo, deixando apenas o brilho das lágrimas que escorrem de meus olhos toda vez que lembro dos seus.
Hoje me chamam astro rei por supostamente iluminar a todos, mas de que serve iluminar o mundo, se já não encontro luz suficiente para atravessar a escuridão que deixaste em mim? me sinto perdida em um caminho que outrora tracei, como um poeta aprisionado nos versos que escreveu, condenado a reler eternamente uma história cujo último capítulo foi escrito pela tua partida.
Sinto meu peito arder com uma chama de amor que o tempo ainda não ousou apagar, minha alma sussurra seu nome em cada silêncio, enquanto minha mente me faz reviver cada momento ao seu lado, lhe fazendo virar parte de mim, uma parte do meu mundo onde a dor e o amor dançam na mais linda e pura sintonia, e assim, sem que eu perceba, volto a ti em pensamento, como se a saudade fosse uma estrada sem fim e tu, o único destino que meu coração ainda reconhece.
E aqui estou, procurando um pouco de alento para esta alma cansada de sentir, a procura daquele refúgio que sempre encontrava ao me perder no lume dos teus olhos, aqueles olhos que, sem promessas grandiosas, fizeram-me acreditar que o pra sempre era real, fiz deles meu lar, meu porto seguro, meu pequeno pedaço de eternidade, porém nunca imaginei que um dia o próprio lar se tornaria uma lembrança, e que eu precisaria aprender a viver entre as ruínas de tudo aquilo que um dia chamei de nosso.
Você partiu, deixando comigo palavras não ditas, beijos que não pude prolongar e o futuro que minha imaginação ousou construir ao teu lado, afogo meu amor nas noites em que procuro teu vestígio nas estrelas, como se o universo, por piedade, pudesse devolver-me ao menos um sinal de que aquilo que vivemos não desapareceu por completo.
Ainda assim, no recanto mais silencioso do meu peito, existe uma pequena faísca que se recusa a morrer, uma esperança que floresce mesmo em meio ao inverno e que todos os dias, volta os olhos para o horizonte, esperando reconhecer tua silhueta entre as despedidas do mundo, e anseia todos os dias por tua volta.
Até lá, continuarei sendo sol para o mundo e saudade para mim mesma, continuarei iluminando os dias alheios enquanto, em segredo, procuro reconstruir a luz que se apagou dentro de mim. Porque, meu amado girassol, por mais que o sol aprenda a nascer todos os dias, há noites em que até mesmo ele sente falta de ser contemplado por alguém que o faça acreditar que seu brilho vale a pena.