Platônico amor meu,
Liberto-te de minha mente;
Antes que me torne refém teu,
Tolherei esta mental paixão ardente.
Ósculos de teus lábios desejaria obter;
Negando a me perder em ti pensar,
Insisto em outros lábios me saciar,
Certo do fel deles me entorpecer.
Ó musa do meu não querer amar,
Alivio-me por, entre nós, distância haver,
Me salvando de meu coração a ti entregar,
Oxalá eu possa, de platonices, não mais sofrer.
Rima que almeja ser a ti musicada,
Melodia que anseia ouvir teu suspiro,
És aqui, com ardor, homenageada:
Ufana-te deste inebriante delírio.