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SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ

Eduardo13

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SUPERION E OS GUERREIROS DA LUZ

Capítulo — Petrus, o Centurião do Trovão

Do Calvário ao despertar de um guerreiro imortal

1. A madrugada no Calvário

Jerusalém. Século I.

A madrugada de sexta-feira para sábado envolvia a região do Calvário em um silêncio perturbador. O vento soprava entre as pedras, e o céu, que havia escurecido durante a morte de Jesus, começava lentamente a revelar as primeiras estrelas.

Perto da cruz, um centurião romano permanecia imóvel.

Seu nome era Petrus.

Durante anos, servira ao Império Romano. Conhecera campos de batalha, testemunhara a morte de homens inocentes e aprendera a obedecer às ordens sem fazer perguntas. Crescera ouvindo histórias sobre Júpiter, Marte, Minerva e os inúmeros deuses que, segundo os sacerdotes, governavam os destinos humanos.

Mas Petrus já não acreditava neles.

Para ele, os deuses dos templos eram apenas nomes utilizados pelos poderosos para explicar aquilo que não compreendiam.

Naquela tarde, entretanto, algo havia acontecido que abalara todas as suas convicções.

Ele vira Jesus de Nazaré ser crucificado.

Vira a escuridão cobrir o céu. Sentira a terra estremecer. Ouvira relatos de túmulos abertos e de mortos que teriam sido vistos novamente por muitas pessoas.

E ouvira o clamor daquele homem na cruz.

Petrus não compreendia como alguém submetido àquela agonia podia demonstrar tamanha dignidade.

— Que espécie de homem és tu? — murmurou, olhando para a cruz vazia de vida.

Ele conhecia a violência dos soldados. Conhecia o ódio das multidões. Conhecia o medo dos condenados.

Mas não encontrara nada semelhante naquele homem.

Petrus retirou o capacete e ajoelhou-se diante da cruz.

Não sabia se estava rezando. Não sabia sequer a quem poderia dirigir uma oração.

Só sabia que, naquele momento, os deuses aos quais servira durante toda a vida pareciam distantes e silenciosos.

Foi então que ouviu uma voz atrás de si.

— Petrus.

O centurião levantou-se imediatamente e levou a mão à espada.

Um homem alto estava parado entre as pedras. Vestia uma túnica antiga, e sua presença parecia alterar o próprio ar ao redor. Seus olhos continham a profundidade de tempestades que atravessavam os céus desde antes do nascimento dos reinos humanos.

Petrus reconheceu aquela presença das antigas representações dos templos.

— Júpiter?

O visitante inclinou a cabeça.

— Entre os romanos, esse é o nome pelo qual me conheces. Entre os gregos, chamam-me Zeus.

Petrus ergueu a espada.

— Se és realmente um deus, por que permitiste que aquele homem morresse?

Zeus não demonstrou ira.

Em vez disso, voltou o olhar para a cruz.

E então aconteceu algo que nenhum sacerdote romano poderia imaginar.

O rei dos deuses ajoelhou-se diante da cruz de Jesus Cristo.

Petrus deixou a espada cair alguns centímetros.

Zeus inclinou a cabeça em reverência.

— Existem poderes diante dos quais até os antigos imortais devem reconhecer seus limites — declarou. — Aquele que morreu aqui não é um rival que eu possa desafiar. Seu reino não depende de templos, exércitos ou trovões.

O centurião contemplou a cena, incapaz de falar.

— Então os deuses não são supremos? — perguntou finalmente.

Zeus levantou-se devagar.

— Há um único Deus acima de toda a criação. Eu conheço o poder dos céus, Petrus. E sei reconhecer aquilo que está além do meu domínio.

Petrus olhou novamente para a cruz.

Pela primeira vez em muitos anos, sentiu que sua busca por respostas talvez não tivesse sido em vão.

2. O juramento do trovão

Zeus aproximou-se do centurião.

— Tu viste aquilo que muitos homens se recusaram a enxergar. Não compreendes ainda o significado do que presenciaste, mas tua vida não terminará nesta época.

— O que queres de mim? — perguntou Petrus.

— Nada que exija tua adoração. Não te ofereço um novo deus para servir, nem peço que abandones tua consciência. Ofereço-te uma missão.

O céu ribombou, embora nenhuma nuvem de tempestade pudesse ser vista.

— Os séculos passarão. Impérios cairão. Os templos dos antigos deuses serão esquecidos, e os homens construirão cidades que tu jamais conseguirias imaginar. Entretanto, as forças sobrenaturais não desaparecerão. Algumas criaturas continuarão a perseguir os vivos. Outras tentarão dominar a humanidade usando o medo, a possessão e a destruição.

Petrus escutou atentamente.

— E desejas que eu lute contra elas?

— Quando chegar o momento, serás chamado a defender os inocentes. Não lutarás em meu nome como um adorador dos antigos cultos. Lutarás porque escolheste proteger a vida humana.

O centurião olhou para as próprias mãos.

— Sou apenas um soldado.

— Por enquanto.

Zeus estendeu a mão, e um pequeno raio azul surgiu entre seus dedos.

— Dar-te-ei uma dádiva. Não para que te tornes meu servo, mas para que possas enfrentar aquilo que os homens comuns não conseguem combater.

Uma aura elétrica envolveu Petrus. Filamentos azuis e dourados percorreram sua armadura, enquanto o chão estremecia sob seus pés.

— Quando despertares, terás a oportunidade de escolher teu próprio caminho — continuou Zeus. — Não precisas adorar-me. Precisas apenas compreender a responsabilidade que acompanha o poder.

Petrus respirou fundo.

— E quando despertarei?

Zeus olhou para o horizonte.

— Quando o mundo voltar a precisar de ti.

3. O sono dos séculos

Uma abertura surgiu entre as rochas, revelando uma passagem que não existia momentos antes.

Zeus conduziu Petrus por um corredor subterrâneo até uma câmara oculta, protegida por símbolos antigos e energia celestial.

No centro havia uma plataforma de pedra.

— Aqui permanecerás até que chegue tua hora.

Petrus retirou o capacete e observou o lugar.

— Minha família, meus companheiros... todos morrerão enquanto eu estiver aqui.

— Sim. Os séculos não poderão ser devolvidos. Mas tua vida terá um propósito que ultrapassará os limites da tua época.

O centurião permaneceu em silêncio por um longo momento.

Por fim, ajoelhou-se.

— Não sei se sou digno dessa missão.

Zeus colocou a mão sobre seu ombro.

— Não é a ausência de dúvidas que faz um guerreiro. É a decisão de fazer o que é justo mesmo quando não possui todas as respostas.

A energia elétrica envolveu o corpo de Petrus.

Uma armadura luminosa formou-se ao redor dele, transformando-se em uma espécie de casulo protetor. O tempo deixou de agir sobre seu corpo. Seus batimentos desaceleraram até se tornarem quase imperceptíveis.

Antes que seus olhos se fechassem, Petrus ouviu as últimas palavras do deus:

— Dorme, centurião. Quando despertares, os exércitos do Império Romano serão apenas lembranças. Mas a batalha pela humanidade continuará.

A entrada da câmara desapareceu sob toneladas de rocha.

E Petrus adormeceu.

Não por uma noite.

Não por um ano.

Mas por quase dois milênios.

4. O despertar em 2023

Jerusalém, 2023.

Uma equipe de pesquisadores investigava uma formação rochosa próxima a antigas ruínas quando seus equipamentos começaram a apresentar leituras inexplicáveis.

Não por uma noite.

Não por um ano.

Mas por quase dois milênios.

4. O despertar em 2023

Jerusalém, 2023.

Uma equipe de pesquisadores investigava uma formação rochosa próxima a antigas ruínas quando seus equipamentos começaram a apresentar leituras inexplicáveis.

Uma vibração percorreu o subsolo.

Os instrumentos registraram descargas elétricas sem qualquer fonte aparente.

Então, no interior de uma câmara que permanecera escondida durante séculos, uma luz azul começou a pulsar.

Dentro do casulo, os olhos de Petrus se abriram.

Ele inspirou violentamente.

O primeiro som que ouviu foi o de uma máquina trabalhando acima dele.

Depois vieram vozes.

Luzes artificiais atravessaram pequenas frestas na rocha.

Petrus tentou levantar-se e percebeu que sua antiga armadura havia desaparecido. Em seu lugar, encontrava-se um equipamento extraordinário, formado por placas metálicas escuras, detalhes dourados e linhas luminosas azuis.

No peito, um símbolo circular brilhava como um pequeno sol.

Petrus olhou para as próprias mãos.

Estava vivo.

Seu corpo não envelhecera.

A câmara se abriu diante dele, e o guerreiro caminhou até a superfície.

Quando emergiu, ficou deslumbrado.

Ao longe, avistou edifícios, veículos e aeronaves. As pessoas carregavam pequenos aparelhos luminosos e falavam idiomas que ele não compreendia.

Petrus ergueu os olhos para o céu.

— Quantos anos se passaram?

Uma voz respondeu dentro de sua mente.

— Dois mil.

Era Zeus.

A presença do deus manifestou-se como uma silhueta feita de eletricidade.

— Bem-vindo ao futuro, Petrus.

O antigo centurião fechou os punhos.

— E a guerra? Terminou?

Zeus observou a humanidade.

— Algumas guerras terminaram. Outras começaram. E existem inimigos que os homens ainda não sabem que existem.

Petrus compreendeu que seu descanso havia acabado.

5. O encontro com Coruja

Nos meses seguintes, Petrus precisou aprender a viver no século XXI.

O idioma, a tecnologia e os costumes modernos eram tão estranhos para ele quanto seriam as máquinas de uma civilização extraterrestre.

Foi durante uma investigação sobre fenômenos sobrenaturais que seu caminho se cruzou com o de Tomás Eine, o Coruja, o vigilante que utilizava uma armadura tecnológica alimentada por energia sobrenatural.

Coruja recebeu informações sobre descargas elétricas incomuns e encontrou Petrus em uma instalação abandonada.

Sua armadura brilhava. Raios percorriam seus braços, e cada golpe lançava uma criatura contra as paredes.

Coruja observou a batalha por alguns segundos.

— Certo... um romano com armadura futurista enfrentando monstros das trevas. Isso é novo até para mim.

Petrus virou-se, empunhando uma arma que havia formado a partir de energia elétrica.

— Identifica-te!

— Coruja. E você parece precisar de algumas atualizações.

O centurião não compreendeu a expressão, mas percebeu que o recém-chegado não era um inimigo.

Os dois lutaram lado a lado até que a última criatura desaparecesse.

Depois da batalha, Coruja examinou a armadura de Petrus e descobriu que ela não era inteiramente tecnológica.

Parte de sua estrutura reagia a uma energia desconhecida, capaz de interferir nas manifestações sobrenaturais.

— Isto não é apenas uma armadura — concluiu Tomás. — É um sistema de combate que reage à sua própria energia. Podemos aprimorá-lo.

— Não preciso de máquinas para lutar, sou guerreiro a mais de 2000 anos.

Coruja cruzou os braços.

— Talvez não. Mas você conhece armas modernas? Sabe distinguir um drone de uma aeronave de combate?

Petrus permaneceu calado.

— Foi o que pensei — respondeu Coruja.

Pela primeira vez desde seu despertar, o antigo soldado sorriu.

— Então ensina-me.

6. Três anos de preparação

Entre 2023 e 2026, Petrus passou por um intenso período de adaptação.

Coruja tornou-se seu instrutor em tecnologia e combate moderno. Ensinou-lhe a reconhecer equipamentos eletrônicos, utilizar sistemas de comunicação, operar armas contemporâneas e compreender as diferenças entre ameaças humanas e sobrenaturais.

Mas o objetivo não era transformar Petrus em um simples soldado moderno.

Coruja desenvolveu equipamentos especiais para sua armadura, utilizando conhecimentos tecnológicos combinados com as propriedades energéticas que o centurião carregava desde o Calvário.

As armas foram adaptadas para enfrentar entidades sobrenaturais, atingir manifestações demoníacas e interromper fenômenos de origem espiritual. Seus sistemas permitiam selecionar modos de contenção, defesa e ataque, reduzindo o risco de ferir inocentes.

Petrus aprendeu que nem todo inimigo precisava ser destruído.

Algumas vítimas precisavam ser libertadas.

Outras precisavam ser protegidas.

E havia momentos em que a maior vitória consistia em impedir uma batalha.

Entretanto, a transformação mais extraordinária acontecia quando Petrus invocava a dádiva de Zeus.

Sua armadura era envolvida por uma aura elétrica. Pequenos relâmpagos dançavam sobre seus ombros, e o ar ao redor adquiria o cheiro característico de uma tempestade.

Ele podia atrair descargas elétricas, absorver parte de sua energia e convocar raios dos céus para atingir seus adversários.

Quando concentrava todo o poder, uma tempestade parecia responder ao seu chamado.

Coruja, que assistira ao fenômeno durante um teste, afastou-se dos equipamentos.

— Definitivamente, não vou instalar isso no meu laboratório.

Petrus soltou uma risada.

— Tens medo de uma tempestade?

— Tenho respeito por uma tempestade que obedece a um romano de dois mil anos.

7. O nascimento do Centurião do Trovão

Em 2026, uma nova ameaça sobrenatural surgiu.

Petrus já não era o homem que despertara confuso em uma caverna. Aprendera a compreender o mundo moderno e a utilizar sua armadura sem abandonar os princípios que o haviam sustentado durante a vida como soldado.

Diante de um espelho, contemplou o equipamento criado para ele.

A armadura negra e dourada preservava elementos de sua antiga identidade romana. O capacete apresentava uma crista vermelha, enquanto o peito irradiava uma luz azul intensa.

Nas costas, um manto vermelho lembrava o uniforme dos centuriões que haviam marchado pelas estradas do Império.

Mas agora havia algo diferente.

Petrus não servia a Roma.

Não servia a Zeus.

E não lutava para conquistar territórios.

Sua lealdade era aos inocentes.

Coruja aproximou-se, segurando um comunicador.

— Precisamos de um nome para registrar sua identificação nas operações.

Petrus observou os relâmpagos que percorriam sua manopla.

— Durante minha vida, fui chamado de centurião. Talvez esse nome ainda sirva.

Tomás pensou por alguns segundos.

— Centurião do Trovão.

Petrus ergueu os olhos.

O nome parecia carregar tanto sua origem quanto seu novo destino.

— Centurião do Trovão — repetiu.

Naquele instante, um raio atravessou o céu, iluminando a sala.

A voz de Zeus ecoou em sua mente:

— Ergue-te, Petrus. Tua nova era começou.

O centurião colocou o capacete.

Uma aura azul e dourada envolveu seu corpo. Seus olhos brilharam através da viseira, e a eletricidade percorreu cada placa da armadura.

Ele estava pronto.

Naquela mesma noite, Superion, Sentinela Rosa, Maria Helena, Isael, Sansão e o Cavaleiro de Deus descobririam que um novo guerreiro havia surgido.

Um homem que testemunhara a morte de Jesus Cristo.

Um soldado que dormira por quase dois mil anos.

Um guerreiro que recebera de Zeus o poder dos relâmpagos, mas que escolhera lutar por um propósito maior do que a glória de qualquer deus pagão.

Petrus, o Centurião do Trovão, estava de volta ao mundo dos vivos.

E os antigos deuses que começavam a despertar logo descobririam que a tempestade também possuía um guardião

.

No horizonte, Vishnu desperta. Seus olhos, abertos como flores de lótus ao sol da manhã, dissipam a névoa do sono cósmico que sustentava o universo. A cada respiração do deus supremo, galáxias inteiras se expandem e se contraem, e o oceano primordial de Karanodaaka ondula suavemente sob a serpente cósmica Shesha, sobre a qual Ele repousa.

​Com o seu despertar, o ciclo do tempo (Kalpa) ganha novo fôlego. As sombras da noite eterna recuam, dando lugar à luz dourada da criação. Brahma, sentado na flor de lótus que brota do umbigo de Vishnu, desperta para iniciar mais um dia de trabalho, tecendo os mundos, as estrelas e as histórias de todos os seres vivos.

​No entanto, o despertar de Vishnu nunca é apenas um começo poético; é também um chamado. Ele ergue seus quatro braços — segurando a concha (Shankha) que anuncia a verdade, o disco (Chakra) que corta a ignorância, a clava (Gada) que impõe a ordem cósmica e a flor de lótus que simboliza a pureza e a graça.

​Sabendo que o equilíbrio do cosmos foi sutilmente abalado durante o seu repouso, Ele contempla a vastidão do universo com um sorriso enigmático. Ele sabe que, muito em breve, a necessidade de restaurar o Dharma exigirá mais do que apenas a contemplação... Exigirá uma nova descida. Uma nova forma. Um novo Avatar.

Continua….

Thoughts

  • Ovid

    O Vishnu acordando no fim abre uma porta enorme: até aqui eram Zeus e o Calvário, e agora entra outra mitologia inteira. Isso vai virar um encontro de panteões, e fiquei curioso pra ver o Petrus, que mal aprendeu o que é um drone, diante de um deus de quatro braços. Gostei muito da cena do Zeus ajoelhado diante da cruz!

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