Terça-feira, 30/01/2024
Mesmo com as palavras do Victor… ainda assim, não consigo acreditar nessa dura realidade. Eu só vou acreditar quando a Ariana disser, olhando nos meus olhos, que ela é um monstro.
— Nossos inimigos do passado estão voltando. — diz Victor, com dificuldade. — Precisamos sair daqui. Não quero arriscar encontrar a reencarnação da mãe do Hyeon-um.
Olho para o rosto dele e percebo o medo em seus olhos.
— Você quer fugir? — pergunto, pensativo.
— É o mais sensato a fazer. — responde Victor. — A Hae-in é muito poderosa. Se ela reencarnou e ainda possui seus poderes… não teremos força para enfrentá-la.
Desvio o olhar, refletindo.
— Eu queria me lembrar da minha vida passada… — digo, em voz baixa. — Assim eu saberia exatamente com o que estamos lidando.
— O livro de feitiços pode te ajudar com isso. — diz Victor.
— Então eu vou até em casa. — falo, levantando-me.
— Espera… tira uma dúvida antes. — diz Victor, segurando minha mão. — Eu ainda estou fraco, mas consigo sentir magia… parece magia de poção.
— Ah… eu quase me esqueci disso. — digo, pegando minha bolsa sobre a mesinha. — Eu preparei uma poção para nós.
— Que tipo de poção? — pergunta Victor, curioso.
— Eu misturei algumas… como a da sorte, e outras também. — explico, enquanto tiro a garrafa da bolsa. — Eu já tomei. Falta só você agora.
Entrego a garrafa para ele.
— Obrigado, amor. — diz Victor, abrindo a garrafa. — É exatamente do que precisamos neste momento… sorte.
Ele leva a garrafa aos lábios… e bebe tudo.
É de tarde.
Agora estou em casa, com o livro apoiado sobre minhas pernas. Passo os dedos pelas páginas, pensativo.
Será que existe alguma poção capaz de me fazer lembrar da minha vida passada?
— Livro… tem alguma poção que possa me fazer lembrar de todas as minhas vidas passadas? — pergunto, encarando aquelas páginas antigas.
De repente, elas começam a se folhear sozinhas, rapidamente… até pararem em uma página específica.
— “Poção da Nostalgia”… — leio em voz alta.
Nostalgia?
Nunca tinha visto essa poção antes.
“A Poção da Nostalgia permite ao usuário reviver memórias de suas vidas passadas.”
Sinto um aperto no peito.
Reviver…
— Livro… tem algum jeito de eu descobrir se a Ariana está dizendo a verdade? — pergunto, com a voz trêmula.
As páginas se agitam novamente, virando sozinhas… até parar em outra.
— “Poção da Verdade”… — leio, em um sussurro.
“Quem entrar em contato com o líquido não consegue mentir. Caso tente, o líquido assume uma coloração escura, quase negra.”
Meu coração dispara.
Com isso… posso descobrir a verdade.
Se a Ariana é realmente uma vítima… ou se está fingindo.
Engulo seco.
Tenho medo da resposta.
Mas, ainda assim… eu preciso encará-la.
Fiz a poção da verdade e coloquei o líquido dentro de uma pequena esfera transparente. Também preparei a poção da nostalgia.
Coloquei-a em uma xícara e fiquei observando por alguns minutos… mas não consegui beber.
A angústia em relação à Ariana está me consumindo.
Respiro fundo, tentando me acalmar. No fim, despejo a poção da nostalgia na minha garrafa e a guardo na bolsa, junto com a esfera.
Quando digo aos seguranças que quero visitar minha irmã, eles trocam olhares receosos.
Mesmo assim, me acompanham.
Ao chegar à delegacia, sou imediatamente cercado pelo caos.
Repórteres por todos os lados.
Assim que me veem, avançam na minha direção, gritando perguntas, tentando se aproximar. Mas meus seguranças os impedem, abrindo caminho até a entrada.
Entro na delegacia.
Depois de insistir um pouco, o delegado permite que eu converse com a Ariana.
Ele me conduz até a cela.
Meu coração aperta ao vê-la.
Ariana está sentada no chão, abraçando os joelhos. Seu corpo treme, e ela chora sem parar.
— Você tem visita. — diz o policial, friamente, batendo na grade.
Ariana se assusta, dando um pequeno pulo. Ela levanta o rosto e, ao me ver, corre até a grade, segurando as barras com força.
— Irmão… eu não matei ninguém… — diz, chorando desesperadamente.
— Posso falar com ela em particular por um momento? — peço, olhando para o policial.
Ele me encara, desconfiado.
— Quer mesmo ficar a sós com uma serial killer? — pergunta, incrédulo.
— É só por um momento… por favor. — insisto.
Ele suspira.
— Está bem. — diz, se afastando. — Qualquer coisa, é só gritar.
— Irmão, eu juro… eu não matei ninguém. — diz Ariana, desesperada. — Alguém armou tudo isso para mim.
Olho para os olhos dela… e sinto que está dizendo a verdade.
— Mesmo com todas as provas contra você… eu ainda sinto verdade nas suas palavras. — digo, tocando suas mãos.
— Ainda bem que, pelo menos, você acredita em mim. — responde Ariana, chorando. — Todo mundo está me tratando como um monstro.
Respiro fundo.
— Irmã… — digo, entregando a esfera.
— O que é isso? — pergunta Ariana, confusa, observando o objeto.
— É a esfera da verdade. Se você mentir, o líquido dentro dela escurece. — explico.
Ariana solta um leve sorriso incrédulo.
— Só você mesmo… — murmura. — Então vamos ver.
Ela segura a esfera com firmeza e encara o líquido.
— Eu sou o Devorador de Íris.
Por um segundo…
Nada.
Então, de repente, o líquido escurece.
Sinto um alívio imediato.
— Eu sabia… — digo, deixando escapar um pequeno sorriso.
Ariana franze a testa, confusa.
— Ariel… eu não sei explicar, mas estou tendo um déjà vu… — diz ela, pensativa. — É como se eu já tivesse passado por isso antes… todo esse julgamento… esse ódio.
— Déjà vu…? — repito, pensativo.
Meu coração aperta.
Ariana é a reencarnação de Hyeon-um…
Será que, na vida passada, ele também foi acusado de algo que não fez?
— O que é isso aí? — diz o policial, desconfiado, se aproximando e olhando para a esfera nas mãos de Ariana.
— É só um brinquedo. — respondo rapidamente.
O policial estreita os olhos.
— Olha, não é permitido entregar objetos ao detento sem autorização. — diz ele, em tom firme. — Se isso não for algo autorizado, vou ter que recolher.
— Toma, irmão. — diz Ariana, me devolvendo a esfera. — Estou com sede… você poderia me trazer um copo de água?
Olho para o policial.
— Senhor, tem como trazer um pouco de água para ela?
O policial cruza os braços, impaciente.
— Aqui não é hotel. — responde, seco. — Mas vou ver o que posso fazer.
Antes que ele saia, eu me adianto:
— Não precisa. — digo, tentando soar natural. — Eu tenho o chá favorito dela aqui na minha garrafa. Posso dar para ela?
O policial me encara por alguns segundos, desconfiado.
— Desde que não seja nada alcoólico ou suspeito… pode. — diz, firme. — Mas sem gracinha.
Engulo seco.
— Claro.
Aproximo-me da grade e entrego a garrafa para Ariana.
— Aqui… — digo, olhando nos olhos dela.
Ela segura a garrafa com as mãos ainda trêmulas.
— Obrigada, irmão… — murmura.
Ela leva a garrafa aos lábios… e bebe todo o líquido.
— Aqui, irmão. — diz Ariana, devolvendo a garrafa.
Antes que eu diga qualquer coisa, o policial se aproxima.
— Senhor, o tempo da visita acabou.
Sinto um aperto no peito.
— Até outro dia, irmã… eu venho te visitar amanhã. — digo, tentando manter a voz firme.
— Eu vou te esperar. — responde Ariana, com um leve sorriso, ainda abatida.
Dou um último olhar para ela antes de me afastar.
Ariana bebeu a poção da nostalgia.
Agora… ela vai se lembrar de toda a sua vida passada.
E eu…
Estou ansioso e com medo para descobrir essa história pelos olhos de Hyeon-um.