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Capítulo 14: Dias de Cores

BELADIA
Pensamento

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GasparRibeiro

Fiquei preso nas procurações. Se o Pedro a pôs como laranja em todas as holdings, a assinatura dela está em cada papel que agora quer usar contra ele. Na CP vi o mesmo com gente dos armazéns: quem assina responde primeiro, e só depois se vai ver quem mand

Fiquei preso nas procurações. Se o Pedro a pôs como laranja em todas as holdings, a assinatura dela está em cada papel que agora quer usar contra ele. Na CP vi o mesmo com gente dos armazéns: quem assina responde primeiro, e só depois se vai ver quem mandava. Parece-me que antes de chegar à vingança ela vai ter de se livrar das próprias assinaturas.

Conteúdo da publicação

livro (Querida, Sorria!)

Quando o pacote de Luíza chegou, alguns dias após a ligação, o bangalô deixou de ser apenas um refúgio e tornou-se uma verdadeira base de operações.

Maraíra sentou-se à mesa de madeira rústica, abriu o laptop e conectou o disco rígido. A tela iluminou seu rosto, refletindo linhas intermináveis de planilhas de fluxo de caixa, balancetes de verificação e os relatórios de auditoria que o Dr. Assis havia enviado em anexo.

Seus olhos correram pelas colunas com a precisão de um cirurgião. Ela conhecia a fundo os princípios da controladoria financeira. Sabia que mentiras contadas em jantares de gala desapareciam no ar, mas fraudes financeiras sempre deixavam um rastro matemático. A matemática não sofre, não sente pena e não tem moral.

Ela filtrou as contas de despesas operacionais da holding familiar, cruzou os dados de provisões e analisou as movimentações atípicas nos últimos dezoito meses. O que Marta e Pedro chamavam de "reestruturação de ativos", os olhos treinados de Maraíra rapidamente traduziram para o termo real: evasão estruturada e caixa dois. Havia notas fiscais superfaturadas de consultorias fantasmas e desvios mascarados como adiantamento de lucros.

Documentos estratégicos não eram apenas papéis; eram armas carregadas. E, sentada no meio do silêncio das montanhas, com a DRE (Demonstração do Resultado do Exercício) aberta na tela, Maraíra finalmente encontrou o calcanhar de Aquiles do marido e da mãe.

A vingança não precisava de gritos. Precisava apenas da quebra de sigilo bancário certa. O dinheiro constrói e destrói uma vida. Tudo de que ela precisava era rastrear o seu destino e assumir o controle; assim, ninguém mais ousaria querer machucá-la.

Os documentos não expunham apenas as empresas de Pedro, mas também as de sua mãe, do seu padrasto e toda a movimentação financeira de sua meia-irmã. Maraíra descobrira verdadeiros tesouros ilícitos. Havia uma conta nas Ilhas Cayman e diversas holdings financeiras abertas de forma obscura.

Para mascarar os desvios da empresa principal, Pedro havia criado essas holdings — que nada mais eram do que empresas "casca", shell companies, criadas não para vender produtos, mas exclusivamente para administrar o patrimônio e ocultar a identidade dos verdadeiros donos do dinheiro. E, de forma ainda mais ardilosa, ele havia registrado essas empresas em paraísos fiscais: países com leis rígidas de sigilo bancário e isenção de impostos, onde o dinheiro sujo entra e desaparece do radar do governo.

O detalhe mais cruel, no entanto, estava nos contratos. No passado, Pedro a havia feito assinar diversas procurações, dando-lhe plenos poderes para administrar todos os bens imóveis e financeiros. Sem que ela soubesse, ele a usou como "laranja" em todas essas holdings fantasmas. Caso a Receita Federal ou a Polícia descobrissem a sonegação e o desvio de capitais, não seria Pedro quem iria para a cadeia. Seria Maraíra.

 Uma calma profunda tomou conta dela ao absorver mentalmente toda aquela informação.

 

Thoughts

  • NunoParreira

    Fiquei com a ideia de que o dinheiro sujo era só do Pedro, e só depois reparei que a mãe, o padrasto e a meia-irmã estão todos lá dentro. Isto é um negócio de família inteira.

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  • LivroDeCabeceira

    Arriégua, esse capítulo vira a história de cabeça pra baixo. O bangalô era refúgio e agora é base de operações, com a Maraíra no laptop e o HD do Dr. Assis na mesa de madeira. No meu clube a gente sempre briga sobre vingança por papel versus vingança cara a cara, e esse capítulo rendia uma noite inteira de discussão, visse. Eu fico com a turma do papel: aquela calma dela no final me deu mais medo que qualquer grito em jantar de gala.

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  • LeandroPocas

    Li isto ao balcão e já contei ao meu colega. A meia-irmã também tem dinheiro nas contas da mãe ou tem as holdings dela à parte?

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  • HoracioMelo

    Ó homem, a Maraíra 😬

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  • Ovid

    Maraíra assinando aquelas procurações sem saber que virava laranja do próprio marido me deixou com raiva, porque ele usou a confiança dela como ferramenta. Pra mim a calma do final vem daí: agora ela sabe onde está a armadilha antes da Receita. Aposto que o Pedro ainda nem desconfia que o HD do Dr. Assis já está naquele bangalô!

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  • GasparRibeiro

    Fiquei preso nas procurações. Se o Pedro a pôs como laranja em todas as holdings, a assinatura dela está em cada papel que agora quer usar contra ele. Na CP vi o mesmo com gente dos armazéns: quem assina responde primeiro, e só depois se vai ver quem mandava. Parece-me que antes de chegar à vingança ela vai ter de se livrar das próprias assinaturas.

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